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Cremeb repudia declarações inconsistentes do secretário de Saúde da capital

14 de novembro de 2019

O Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) repudia a tentativa do secretário de Saúde de Salvador, Léo Prates, de induzir a população contra a classe, ao dizer que o mau funcionamento do posto de Ilha de Maré é culpa dos médicos. Na declaração, o gestor diz que “os médicos não querem” trabalhar no local, e associa o suposto fato a dificuldade de acesso a localidade. Mas, essa não é a verdade.

Ao invés de promover acessibilidade e locomoção adequadas ao local, instalações físicas em condições de trabalho e vínculos empregatícios seguros (concurso público), o gestor optou por culpar os profissionais que estão na ponta do problema e que recebem a população para atendimento, apesar das situações adversas.

“Estrutura, segurança, acessibilidade e remuneração justa, compatível com a formação e responsabilidade do médico, são condições imprescindíveis para garantir assistência de qualidade”, rebate a presidente do Cremeb, Teresa Maltez.

Outro equívoco do gestor acontece quando cita o salário dos médicos da prefeitura de Salvador, informando ser 15 mil reais. Esse valor citado nunca chegou aos bolsos dos profissionais, pois refere-se ao recente chamamento público realizado pela prefeitura, distante da realidade daqueles que já atuavam nos serviços municipais.

De acordo com os número compilados pela Associação Bahiana de Medicina, “o funcionário de carreira da prefeitura, médico concursado, de 40 horas, ganha em torno de 6 mil reais, com alguns agregados, chega a 10 e 11 mil”.

Infelizmente, para dar vazão à demanda local, Léo Prates estuda a possibilidade de terceirizar a contratação dos médicos para Ilha de Maré, alegando que as organizações sociais têm mais flexibilidade para contratação. Em suma, é a transferência da responsabilidade do ente público para o ente privado, sem nenhuma segurança empregatícia para o profissional médico.

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