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Corregedor do Cremeb aborda limites assistenciais e respeito ao paciente em encontro nacional sobre atenção domiciliar

22 de maio de 2026

Mesa debatedora – Da esquerda para direita: Dr. Rodrigo Medina, Crefito-7; Dr. Emerentino Araújo, Cremeb; Dra. Cássia Pitangueira, Coren; e Dra. Priscila Macedo, mediadora.

O Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) esteve representado, nesta quarta-feira (20), no 3º Encontro dos Serviços de Atenção Domiciliar do Programa Melhor em Casa, em Salvador. O corregedor da Autarquia, Dr. Emerentino Araújo, foi o responsável por apresentar, na mesa dedicada ao olhar dos conselhos profissionais sobre os desafios no cuidado em casa, o tema “Medicina: limites assistenciais, autonomia clínica e responsabilidade ética”. Compuseram a mesma mesa o presidente do Conselho Regional de Fisioterapia, Dr. Rodrigo Medina, e a enfermeira doutora Cássia Pitangueira, coordenadora-geral das Câmaras Técnicas do Conselho Regional de Enfermagem. A mediação do espaço foi feita pela enfermeira Priscila Soares Macedo.

Durante sua exposição, o corregedor do Cremeb destacou a evolução histórica da medicina, desde o modelo hipocrático domiciliar, pautado na proximidade, confidencialidade e no princípio de “não causar dano”, até a medicina tecnológica e hospitalocêntrica do século XX, ressaltando os desafios éticos contemporâneos decorrentes do envelhecimento populacional e das doenças crônicas. Enfatizou ainda que o período pós-Segunda Guerra consolidou a autonomia do paciente e o consentimento informado como pilares da bioética, defendendo uma assistência mais humanizada, centrada na pessoa e fortalecida pelos cuidados paliativos e pelo trabalho multiprofissional.

“O Cremeb valoriza muito encontros como este. Discutir a atenção domiciliar é discutir o próprio SUS, suas potencialidades, seus desafios e os caminhos para um cuidado mais digno, ético e centrado no paciente. É nesse espaço de diálogo entre conselhos, profissionais e gestores que construímos respostas mais qualificadas para os dilemas do cotidiano assistencial”, afirmou o conselheiro.

Ao final de sua fala, o corregedor chamou atenção para uma questão que ultrapassa os limites estritamente clínicos: o problema dos frequentes atrasos salariais enfrentados por profissionais de saúde. Segundo o corregedor, embora o Cremeb não possua competência sindical nem atribuição para fiscalizar contratos privados de trabalho, trata-se de uma questão com relevantes repercussões éticas e assistenciais.

O conselheiro destacou que a Autarquia tem recebido reiterados relatos de atrasos salariais em diferentes níveis da rede de saúde, situação que produz sofrimento psíquico, insegurança profissional, medo de represálias e elevada rotatividade das equipes, com potenciais impactos sobre a segurança do paciente e a continuidade do cuidado e que esse assunto deveria entrar na pauta de prioridades da Sesab.