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Vice-presidente do Cremeb esclarece regras da auditoria médica em Simpósio de Saúde Suplementar

8 de setembro de 2026

Fiscalizar sem cercear a autonomia médica, orientar sem transformar o acompanhamento em obstáculo ao cuidado: esse é o desafio que atravessa a relação entre médicos auditores e assistentes na saúde suplementar. O tema ganha ainda mais relevância diante de trechos da legislação, que regula a matéria, estarem atualmente sob tutela judicial parcial. Foi justamente sobre esse cenário que o vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb), Dr. Plínio Sodré, discorreu ao apresentar o painel “Auditoria Médica na Visão do Conselho Federal de Medicina”, durante o VII Simpósio de Saúde Suplementar, realizado nos dias 3 e 4 de setembro, em Feira de Santana, reunindo as Unimeds da Bahia e de Pernambuco.

A mesa, realizada sexta-feira (4), foi dedicada à auditoria médica no contexto da saúde suplementar, e contou ainda com as participações da advogada e consultora de gestão jurídica Dra. Jordana Miranda Souza e do médico Dr. João Pinto Falcão, auditor da Unimed Bahia de Todos os Santos, com mediação do médico Henrique Guido de Araújo, vice-presidente da Unimed Recife.

Em sua apresentação, Dr. Plínio Sodré trouxe ao público as diretrizes estabelecidas pela Resolução CFM nº 2.448/2025, que disciplina a atuação do médico auditor e busca equilibrar a fiscalização técnica com o respeito à autonomia do médico assistente. Um dos momentos mais importantes da explanação foi justamente o esclarecimento sobre quais pontos da resolução seguem plenamente vigentes, uma vez que parte do dispositivo normativo está, atualmente, sob tutela judicial parcial.

Entre os pontos abordados, estiveram as balizas para contestação de procedimentos, os limites da atuação do auditor diante das decisões clínicas e os parâmetros que orientam essa relação, temas tratados especialmente nos artigos 10 a 16 da norma, além de referências à exposição de motivos da resolução e a uma recente decisão judicial que reforça o entendimento do CFM sobre a matéria.

Para o vice-presidente do Cremeb, levar essa discussão a um evento que reúne operadoras e médicos é essencial para que a auditoria seja compreendida como instrumento de qualificação, e não de embate. “A auditoria médica não pode ser vista como uma disputa entre quem assiste e quem audita, mas como um mecanismo de qualificação da assistência, pautado pela técnica e pela ética. Trazer as diretrizes do CFM para esse debate é fundamental para que médicos e operadoras caminhem na mesma direção: a do cuidado responsável com o paciente”, destacou Dr. Plínio Sodré.

Na quinta-feira (3), o Cremeb esteve representado na mesa de abertura do evento, momento em que o vice-presidente ressaltou a necessidade de união entre os médicos e as entidades médicas para o enfrentamento dos novos desafios impostos à categoria. O Sindicato dos Médicos do Estado da Bahia (Sindimed) também compôs a abertura, representado por seu presidente, Dr. Júlio Braga.

Entre o público, o simpósio reuniu médicos de trajetória consolidada na defesa da ética médica, como o Secretário Adjunto do Cremeb, Dr. Eduardo Nogueira, e o ex-conselheiro Dr. Silvio Porto, reforçando a relevância do encontro para o fortalecimento do diálogo entre a medicina e o setor de saúde suplementar na Bahia.