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25 cirurgiões gerais do Hospital Roberto Santos informam ao Cremeb desligamento coletivo após atrasos de pagamento

21 de agosto de 2026

O atraso sucessivo de pagamentos, que chegou a cinco meses sem remuneração, foi um dos motivos que levaram 25 cirurgiões gerais do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS) a decidirem pelo desligamento programado das escalas da unidade. Para comunicar formalmente a situação, o grupo de médicos, representado por sua advogada, Ana Caroline Amoedo, reuniu-se com o Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb), na última segunda-feira (17), na sede da entidade, onde foi recebido pelo conselheiro diretor do Departamento de Defesa das Prerrogativas do Médico (DEPMED), Dr. José Abelardo de Meneses.

 

O diretor do DEPMED e a advogada Ana Caroline Amoedo

 

Além do atraso salarial, outros problemas decorrentes da inadimplência foram compartilhados com o Cremeb, como o desfalque progressivo das escalas – oriundo do desligamento de outros plantonistas -, que gera sobrecarga aos médicos. A defasagem remuneratória, uma vez que os vencimentos não são compatíveis com as atividades de alta complexidade, também é um problema enfrentado pelos médicos do HGRS, de acordo com o que foi relatado na reunião e registrado nos documentos entregues pela advogada ao Conselho.

A reunião com a autarquia federal foi solicitada pelos médicos para buscar apoio e atuação institucional do Cremeb, como mais uma tentativa de dirimir os reflexos da inadimplência não somente para os profissionais, mas também para a população, que pode sofrer com a descontinuidade de um serviço público essencial de saúde. O grupo registra ainda as reiteradas manifestações sobre os temas supracitados junto à gestão do hospital – tanto sobre o atraso salarial quanto sobre o desfalque nas escalas -, que, de acordo com sua representante legal, seguem sem solução efetiva até o momento.

“Essa é uma situação que tem preocupado muito o Cremeb, sobretudo porque as demandas relacionadas à inadimplência dos honorários médicos vêm aumentando de forma significativa. Além de prejudicar diretamente o profissional, que também tem família, compromissos e responsabilidades que dependem da sua remuneração, esse tipo de situação pode gerar desassistência à população, atingindo principalmente os pacientes mais necessitados e os usuários do Sistema Único de Saúde. É fundamental que as autoridades e os gestores cumpram os compromissos e as obrigações legalmente estabelecidos, garantindo aos médicos o pagamento pelos serviços que efetivamente prestaram” explica Dr. José Abelardo de Meneses.

 

Dr. Abelardo informou que, no mesmo dia que recebeu a denúncia, o Cremeb oficiou o subsecretário da Saúde do Estado da Bahia, Paulo Barbosa, o superintendente da Superintendência de Atenção Integral à Saúde (SAIS), Karlos Figueredo, e o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), por meio das promotoras de Justiça Rocío Garcia Matos, coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Defesa da Saúde (Cesau), e Rita Tourinho, coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Proteção à Moralidade Administrativa (CAOPAM).