Cremeb debate uso seguro e ético das canetas emagrecedoras em palestra pública
14 de agosto de 2026

Em meio à crescente popularização das chamadas “canetas emagrecedoras” e aos debates sobre seus benefícios, riscos e uso indiscriminado, o Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) participou, na manhã desta sexta-feira (14), da palestra pública “Canetas emagrecedoras: desafios sanitários e segurança do paciente”, na sede do Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA). O Conselho foi representado pelo Corregedor, Dr. Emerentino de Araújo, na mesa de abertura, e pela 1ª vice-corregedora, Dra. Marília Fagundes, que participou da programação como palestrante.
A discussão colocou em pauta um cenário que reúne, ao mesmo tempo, importantes avanços no tratamento da obesidade e do diabetes e os novos desafios para profissionais de saúde, órgãos fiscalizadores e para a própria sociedade. A procura crescente por essas medicações, muitas vezes impulsionada pelo desejo de resultados rápidos, reforça a necessidade de informação qualificada, acompanhamento profissional e atenção às implicações éticas e sanitárias envolvidas.
Durante a abertura, Dr. Emerentino de Araújo apresentou a visão do Cremeb diante de uma questão que envolve diferentes dimensões. De um lado, estão a eficácia e os benefícios comprovados de substâncias que vêm transformando o tratamento de doenças. Do outro, surgem preocupações relacionadas à ética dos profissionais médicos responsáveis pela prescrição, especialmente diante do forte apelo social por essas medicações e de uma lógica mercadológica que pode estimular o uso exacerbado.
Na sequência, Dra. Marília Fagundes aprofundou o debate ao apresentar os “dois lados da moeda” quando o assunto são as canetas emagrecedoras. A médica destacou os avanços já conhecidos no enfrentamento do diabetes e da obesidade, além dos estudos em andamento que investigam o potencial dessas substâncias no tratamento e na prevenção de outras doenças.
Em contraponto aos resultados positivos, a 1ª vice-corregedora chamou atenção para problemas que acompanham a crescente procura pelos medicamentos, como o contrabando e a comercialização irregular, o uso indiscriminado, a automedicação e a aplicação das substâncias sem acompanhamento médico adequado. Situações como essas, além de aumentarem os riscos de efeitos adversos, podem levar ao uso de produtos sem garantia de procedência, armazenamento correto ou mesmo da composição anunciada.
A discussão reforçou que medicamentos dessa natureza não devem ser tratados como soluções exclusivamente estéticas ou de uso generalizado. A indicação precisa considerar o quadro clínico, os benefícios esperados, as contraindicações e os possíveis efeitos adversos, sempre a partir de uma avaliação individualizada e com acompanhamento médico.
A palestra pública foi promovida pelo Conselho Regional de Farmácia do Estado da Bahia (CRF-BA) e contou com o apoio do Cremeb, do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 7ª Região (Crefito-7), do Conselho Regional de Nutrição da 5ª Região (CRN-5), do Conselho Regional de Odontologia da Bahia (CRO-BA) e do Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA). A participação conjunta das instituições buscou ampliar o diálogo sobre o tema a partir de diferentes áreas de atuação, tendo como ponto comum a proteção da saúde e a segurança dos pacientes.








