{"id":7300,"date":"2016-05-17T16:00:43","date_gmt":"2016-05-17T16:00:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cremeb.org.br\/?p=7300"},"modified":"2016-07-28T14:07:58","modified_gmt":"2016-07-28T14:07:58","slug":"em-cinco-anos-brasil-perde-236-mil-leitos-de-internacao-no-sus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/noticias\/em-cinco-anos-brasil-perde-236-mil-leitos-de-internacao-no-sus\/","title":{"rendered":"Em cinco anos, Bahia perde 2,1 mil leitos de interna\u00e7\u00e3o no SUS"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o precisa atuar na \u00e1rea\u00a0para saber\u00a0que a sa\u00fade p\u00fablica no Brasil est\u00e1 um caos. Superlota\u00e7\u00e3o,\u00a0falta de suprimentos e longas filas de espera para uma simples consulta\u00a0s\u00e3o problemas comuns. Aqueles que conseguem ser atendidos e\u00a0precisam de\u00a0interna\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m sofrem.\u00a0Uma an\u00e1lise feita pelo\u00a0Conselho Federal de Medicina (CFM), utilizando dados do\u00a0Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Sa\u00fade (CNES), do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, revelam que 23.565 leitos de interna\u00e7\u00e3o foram desativados na rede p\u00fablica de dezembro de 2010 at\u00e9 2015. Deste total,\u00a02.126 eram na Bahia, resultado que coloca o estado\u00a0na quarta posi\u00e7\u00e3o no ranking de pior\u00a0desempenho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cremeb.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Ranking-estados-2.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-7305 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.cremeb.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Ranking-estados-2-403x135.jpg\" alt=\"Ranking estados 2\" width=\"403\" height=\"135\" srcset=\"https:\/\/www.cremeb.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Ranking-estados-2-403x135.jpg 403w, https:\/\/www.cremeb.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Ranking-estados-2.jpg 428w\" sizes=\"(max-width: 403px) 100vw, 403px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para o presidente do CFM, Carlos Vital, o levantamento mostra, em n\u00fameros, a falta de leitos vivida diariamente por m\u00e9dicos e pacientes nos hospitais brasileiros, o que acaba provocando atrasos no diagn\u00f3stico e no in\u00edcio do tratamento, aumentando a taxa de mortalidade. \u201cA insufici\u00eancia de leitos para interna\u00e7\u00e3o ou realiza\u00e7\u00e3o de cirurgias \u00e9 um dos fatores para o aumento do tempo de perman\u00eancia nas emerg\u00eancias. S\u00e3o doentes que acabam \u2018internados\u2019 nas emerg\u00eancias \u00e0 espera do devido encaminhamento para um leito adequado, correndo riscos de contrair infec\u00e7\u00f5es\u201d, constata.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa, na Bahia, a \u00e1rea mais impactada com essa redu\u00e7\u00e3o\u00a0foi a pediatria, que perdeu 910 leitos de internamento nos \u00faltimos cinco anos. Os leitos cir\u00fargicos tamb\u00e9m merecem destaque, j\u00e1 que passou de 6.064 unidades, em 2010, para 5.382, em 2015. A \u00e1rea obst\u00e9trica tamb\u00e9m n\u00e3o fica atr\u00e1s: registrou uma queda de 549 leitos no mesmo per\u00edodo. No estado, ainda que t\u00edmido,\u00a0as \u00fanicas altas na quantidade de leitos de internamento foram: a \u00e1rea cl\u00ednica, que ganhou 83 leitos nos \u00faltimos cinco anos, e hospital\/dia (quando a perman\u00eancia do paciente na unidade \u00e9 requerida por um per\u00edodo m\u00e1ximo de 12 horas), que pulou de 221, em 2010, para 278, no ano passado.<\/p>\n<p>Salvador\u00a0tamb\u00e9m registrou queda no n\u00famero de leitos de internamento, com 340 unidade\u00a0a menos em 2015 quando comparado com 2010. E, assim como no estado, os leitos cir\u00fargicos tamb\u00e9m foram o destaque negativo, com uma redu\u00e7\u00e3o de 281 unidades nos \u00faltimos cinco anos. Tamb\u00e9m\u00a0fecharam leitos de interna\u00e7\u00e3o as seguintes \u00e1reas: \u00a0pediatria (-170), obstetr\u00edcia (-50) e hospital DIA (-6), al\u00e9m de outras especialidades (-126).\u00a0Na outra ponta, a \u00e1rea cl\u00ednica ganhou 293 unidades\u00a0para internamento no mesmo per\u00edodo, ampliando de 1.413 para 1.706.<\/p>\n<p><strong>Nacional &#8211;\u00a0<\/strong>Dentre as especialidades mais afetadas no per\u00edodo, em n\u00edvel nacional, constam psiquiatria, pediatria cir\u00fargica, obstetr\u00edcia e cirurgia geral. J\u00e1 os leitos destinados \u00e0 ortopedia e traumatologia foram os \u00fanicos que sofreram acr\u00e9scimo superior a mil leitos.<\/p>\n<p>\u201cNa realidade atual, s\u00f3 resta ao usu\u00e1rio do SUS rezar para n\u00e3o adoecer e n\u00e3o precisar de interna\u00e7\u00e3o hospitalar. Sufocados com o congelamento da tabela SUS, hospitais filantr\u00f3picos est\u00e3o fechando leitos ou cerrando as portas. Governos e munic\u00edpios tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e3o conseguindo manter suas estruturas hospitalares, que est\u00e3o cada dia mais sucateadas. Mas, como a doen\u00e7a n\u00e3o avisa, as filas de espera n\u00e3o param de crescer e o que vemos s\u00e3o doentes fragilizados, se acumulando em cadeiras e macas improvisadas nos corredores dos prontos-socorros\u201d, lamenta o 1\u00ba secret\u00e1rio do CFM, Hermann Tiesenhausen.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.cremeb.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/leitossus.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-7310\" src=\"http:\/\/www.cremeb.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/leitossus-321x268.jpg\" alt=\"leitossus\" width=\"321\" height=\"268\" srcset=\"https:\/\/www.cremeb.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/leitossus-321x268.jpg 321w, https:\/\/www.cremeb.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/leitossus.jpg 553w\" sizes=\"(max-width: 321px) 100vw, 321px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Estados e capitais \u2013<\/strong> Em n\u00fameros absolutos, os estados das regi\u00f5es Sudeste e Nordeste foram os que mais sofreram redu\u00e7\u00e3o no per\u00edodo. S\u00f3 no Rio de Janeiro, por exemplo, pouco mais de sete mil leitos foram desativados desde 2010. Na sequ\u00eancia, aparece Minas Gerais (-3.241 leitos) e S\u00e3o Paulo (-2.908). No Nordeste, a Bahia sofreu o maior corte (-2.126). Entre as capitais, foram os fluminenses os que mais perderam leitos na rede p\u00fablica (-2.503), seguidos pelos fortalezenses (-854) e brasilienses (-807).<\/p>\n<p>Na outra ponta, apenas oito estados apresentaram n\u00fameros positivos no c\u00e1lculo final de leitos SUS ativados e desativados nos \u00faltimos cinco anos: Rio Grande do Sul (806), Mato Grosso (397), Rond\u00f4nia (336), Santa Catarina (121), Esp\u00edrito Santo (115), Amap\u00e1 (87), Mato Grosso do Sul (56) e Tocantins (15). Nas capitais, 12 delas conseguiram elevar a taxa de leitos, o que sugere que o grande impacto de queda tenha reca\u00eddo sobre as demais cidades metropolitanas ou interioranas dos estados.<\/p>\n<p>Enquanto os 150 milh\u00f5es de brasileiros que dependem exclusivamente do SUS perderam quase 24 mil leitos desde 2010, o quantitativo na rede suplementar e nas unidades privadas aumentou em 2,2 mil o n\u00famero de leitos no mesmo per\u00edodo. Ao todo, 17 estados elevaram o montante na rede \u201cn\u00e3o SUS\u201d at\u00e9 dezembro de 2015. Apenas Rio de Janeiro e Cear\u00e1 sofreram decr\u00e9scimos significativos, da ordem de 1.751 e 1.042 leitos a menos, respectivamente.<\/p>\n<p><strong>Leitos de observa\u00e7\u00e3o e UTI \u2013<\/strong> O levantamento do CFM apurou ainda os leitos de repouso ou de observa\u00e7\u00e3o, utilizados para suporte das a\u00e7\u00f5es ambulatoriais e de urg\u00eancia, como administra\u00e7\u00e3o de medica\u00e7\u00e3o endovenosa e pequenas cirurgias, com perman\u00eancia de at\u00e9 24 horas no ambiente hospitalar. Nesta categoria, houve um aumento de 14% na quantidade de leitos no per\u00edodo.<br \/>\nTamb\u00e9m foram apurados pela autarquia os leitos reservados \u00e0s Unidades de Terapia Intensiva (UTI).<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio dos leitos de interna\u00e7\u00e3o, essa rede apresentou alta de 23%, passando de 33.425 em dezembro de 2010 para 40.960 no mesmo m\u00eas de 2015. Apesar do acr\u00e9scimo, uma an\u00e1lise detalhada do CFM constatou ind\u00edcios de que quantidade de leitos de UTI na rede p\u00fablica (49% do total) ainda seja insuficiente para atender as demandas da popula\u00e7\u00e3o. Leia mais em 86% das cidades brasileiras n\u00e3o possuem nenhum leito p\u00fablico de UTI.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.cremeb.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/leitosporestado.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-7311\" src=\"http:\/\/www.cremeb.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/leitosporestado-403x255.jpg\" alt=\"leitosporestado\" width=\"403\" height=\"255\" srcset=\"https:\/\/www.cremeb.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/leitosporestado-403x255.jpg 403w, https:\/\/www.cremeb.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/leitosporestado.jpg 1005w\" sizes=\"(max-width: 403px) 100vw, 403px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Abaixo da m\u00e9dia mundial \u2013<\/strong> Embora a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) e a Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade (OPAS) n\u00e3o recomendem ou estabele\u00e7am taxas ideais de leitos por habitante, \u00e9 poss\u00edvel observar que, em rela\u00e7\u00e3o a outros pa\u00edses com sistemas universais de sa\u00fade, o Brasil aparece com um dos piores indicadores.<\/p>\n<p>De acordo com o relat\u00f3rio de Estat\u00edsticas de Sa\u00fade Mundiais da OMS de 2014, o Brasil possu\u00eda 2,3 leitos hospitalares (p\u00fablicos e privados) para cada grupo de mil habitantes no per\u00edodo de 2006 a 2012. A taxa \u00e9 equivalente \u00e0 m\u00e9dia das Am\u00e9ricas, mas inferior \u00e0 m\u00e9dia mundial (2,7) ou as taxas apuradas, por exemplo, na Argentina (4,7), Espanha (3,1) ou Fran\u00e7a (6,4).<\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio, a densidade de leitos pode ser utilizada para indicar a disponibilidade de servi\u00e7os hospitalares. As estat\u00edsticas de leitos hospitalares s\u00e3o geralmente extra\u00eddas de registros administrativos de rotina, como as bases do CNES, no caso do Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Baixe os arquivos do Levantamento do CFM:\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/portal.cfm.org.br\/images\/PDF\/regioesleitosdez15.pdf\" target=\"_blank\">Estudo CFM: Leitos SUS no Brasil &#8211; por regi\u00f5es<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/portal.cfm.org.br\/images\/PDF\/estadosleitosdez15.pdf\" target=\"_blank\">Estudo CFM:\u00a0Leitos de Interna\u00e7\u00e3o, Repouso e Observa\u00e7\u00e3o &#8211; por estado<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/portal.cfm.org.br\/images\/PDF\/capitaisleitosdez15.pdf\" target=\"_blank\">Estudo CFM: Leitos de Interna\u00e7\u00e3o, Repouso e Observa\u00e7\u00e3o &#8211; por capital<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/portal.cfm.org.br\/images\/PDF\/estadosespecialidadesdez15.pdf\" target=\"_blank\">Estudo CFM: Leitos de interna\u00e7\u00e3o &#8211;\u00a0Quantidade SUS por estado e Especialidade<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/portal.cfm.org.br\/images\/PDF\/capitaisespecialidadesdez15.pdf\" target=\"_blank\">Estudo CFM: Leitos de interna\u00e7\u00e3o &#8211; Quantidade SUS por capital e Especialidade<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/portal.cfm.org.br\/images\/PDF\/especialidadesdez15.pdf\" target=\"_blank\">Estudo CFM: Leitos de Interna\u00e7\u00e3o &#8211; especialidades detalhadas<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: CFM | Portal M\u00e9dico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o precisa atuar na \u00e1rea\u00a0para saber\u00a0que a sa\u00fade p\u00fablica no Brasil est\u00e1 um caos. 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