{"id":6036,"date":"2016-02-29T19:22:39","date_gmt":"2016-02-29T19:22:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cremeb.org.br\/?p=6036"},"modified":"2016-02-29T19:29:38","modified_gmt":"2016-02-29T19:29:38","slug":"salvador-e-a-capital-brasileira-que-menos-investe-em-saude-revela-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/noticias\/salvador-e-a-capital-brasileira-que-menos-investe-em-saude-revela-estudo\/","title":{"rendered":"Salvador \u00e9 a capital brasileira que menos investe em sa\u00fade, revela estudo"},"content":{"rendered":"<p>Salvador \u00e9 a capital que menos gasta, proporcionalmente, com a sa\u00fade p\u00fablica de seus habitantes no pa\u00eds. \u00c9 o que aponta um estudo realizado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), em conjunto com a ONG Contas Abertas. Em 2014, foram investidos apenas R$ 215,96 para cada habitante, ou seja, apenas R$ 0,59 por dia. Na Bahia, foram R$ 1,08 e, no Brasil, os governos federal, estaduais e municipais aplicaram, no mesmo per\u00edodo, R$ 3,89 por dia (R$ 1.419,84 ao ano) para cobrir as despesas p\u00fablicas com sa\u00fade dos 204 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>Para o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb), conselheiro Jos\u00e9 Abelardo de Meneses, al\u00e9m do baixo financiamento, h\u00e1 um problema de gest\u00e3o. \u201cEm 2015, cerca de 15% do recurso para a sa\u00fade do pa\u00eds (R$ 16 bilh\u00f5es) foi devolvido por falta de aplica\u00e7\u00e3o, ou seja, n\u00e3o houve execu\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria\u201d. Segundo ele, essa inefici\u00eancia na gest\u00e3o, faz com que haja tamb\u00e9m desvios de recursos: \u201cTemos informa\u00e7\u00f5es de que entre 2002 e 2015, R$ 14 bilh\u00f5es foram desviados da Sa\u00fade. Isso representa 29% dos desvios de recursos do pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>A falta de planejamento tamb\u00e9m contribui para esses n\u00fameros, garante Dr. Abelardo. Como exemplo, ele cita o Anexo II do Hospital Geral do Estado (HGE), que, segundo o pr\u00f3prio secret\u00e1rio Estadual de Sa\u00fade, F\u00e1bio Villas-Boas, ainda n\u00e3o foi inaugurado porque houve um planejamento inadequado da cozinha. \u201cHouve uma falta de planejamento para uma estrutura b\u00e1sica. E a inaugura\u00e7\u00e3o, que estava marcada para mar\u00e7o do ano passado, ainda n\u00e3o tem data para ocorrer, pois depender\u00e1 agora de uma nova licita\u00e7\u00e3o para resolver esse problema da cozinha\u201d.<\/p>\n<p>O conselheiro chama aten\u00e7\u00e3o ainda para o fato do munic\u00edpio de Salvador n\u00e3o possuir leito hospitalar. \u201cA terceira maior capital do pa\u00eds n\u00e3o tem um leito hospitalar de responsabilidade do munic\u00edpio. Todos os leitos de Salvador s\u00e3o de responsabilidade da Secretaria de Sa\u00fade do Estado, mas n\u00e3o\u00a0\u00e9 por isso que tamb\u00e9m um gestor v\u00e1 lavar as m\u00e3os em detrimento da qualidade da assist\u00eancia \u00e0 popula\u00e7\u00e3o\u201d, pontua ele, complementando: \u201cA sa\u00fade p\u00fablica em Salvador est\u00e1 em colapso. \u00c9 preciso haver um entendimento entre os governos estadual e municipal\u201d.<\/p>\n<p><strong>Nacional &#8211;<\/strong> A atua\u00e7\u00e3o do Brasil, segundo os dados mais recentes da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), est\u00e1 abaixo da m\u00e9dia das Am\u00e9ricas, cujo investimento per capita do setor p\u00fablico em sa\u00fade, em 2013, foi de US$ 1.816 \u2013 enquanto no Brasil, naquele ano, foi de US$ 523 (cerca de 70% menor). Os dados da pesquisa foram levantados a partir de informa\u00e7\u00f5es sobre as despesas apresentadas pelos gestores \u00e0 Secretaria do Tesouro Nacional, do Minist\u00e9rio da Fazenda, por meio de relat\u00f3rios resumidos de execu\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria.<\/p>\n<p>As aplica\u00e7\u00f5es em sa\u00fade por parte da esfera p\u00fablica, j\u00e1 corrigidas pelo \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA), ca\u00edram 0,93% em 2014, atingindo a cifra de R$ 290,3 bilh\u00f5es, ou seja, 3 bilh\u00f5es a menos que o registrado em 2013, segundo os dados da pesquisa. O impacto negativo foi dos munic\u00edpios, que reduziram suas aplica\u00e7\u00f5es de R$ 116,4 bilh\u00f5es, em 2013, para R$ 106,2, em 2014, representando um d\u00e9ficit de 8,83%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.cremeb.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Pesquisa-CFM-01.png\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-6037\" src=\"http:\/\/www.cremeb.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Pesquisa-CFM-01-403x230.png\" alt=\"Pesquisa CFM 01\" width=\"403\" height=\"230\" srcset=\"https:\/\/www.cremeb.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Pesquisa-CFM-01-403x230.png 403w, https:\/\/www.cremeb.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Pesquisa-CFM-01.png 531w\" sizes=\"(max-width: 403px) 100vw, 403px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para o economista e secret\u00e1rio-geral da ONG Contas Abertas, Gil Castello Branco, h\u00e1 nexo claro entre algumas decis\u00f5es do governo federal e in\u00fameras implica\u00e7\u00f5es nos Estados e munic\u00edpios. \u201cEm 2013 e 2014, com a preocupa\u00e7\u00e3o predominante da reelei\u00e7\u00e3o, o governo aprofundou o uso da pol\u00edtica fiscal para tentar reativar a economia a qualquer custo. Isen\u00e7\u00f5es e benef\u00edcios fiscais foram concedidos sem os resultados esperados. Assim, as receitas que j\u00e1 vinham diminuindo em decorr\u00eancia da retra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, foram tamb\u00e9m afetadas pelos benef\u00edcios fiscais e isen\u00e7\u00f5es, o que fez murchar tamb\u00e9m as arrecada\u00e7\u00f5es dos estados e dos munic\u00edpios\u201d, explicou.<\/p>\n<p>De acordo com Castello Branco, os estados e os munic\u00edpios t\u00eam parcelas de culpa na retra\u00e7\u00e3o de seus investimentos em decorr\u00eancia, sobretudo, da falta de planejamento. \u201cDiversos deles, nas \u00e9pocas de \u2018vacas gordas\u2019, concederam reajustes generosos de sal\u00e1rios e aumentaram o n\u00famero de servidores, despesas que n\u00e3o podem ser reduzidas com facilidade. Quando as dificuldades surgiram, os cortes em investimentos foram utilizados para minimizar o d\u00e9ficit\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O presidente do CFM, Carlos Vital, avalia que a car\u00eancia financeira pode ainda ampliar os problemas enfrentados pela rede de hospitais federais, conveniados, filantr\u00f3picos e santas casas, que sofreram com sucessivos atrasos e falta de pagamentos no ano passado. \u201cPor conta do subfinanciamento hist\u00f3rico e da m\u00e1 gest\u00e3o, todo o sistema est\u00e1 comprometido. As autoridades precisam reconhecer a sa\u00fade p\u00fablica como prioridade. Os problemas do setor come\u00e7am com a defini\u00e7\u00e3o destas prioridades e se estendem para a transposi\u00e7\u00e3o de metas e para o or\u00e7amento e sua execu\u00e7\u00e3o. Trata-se de um perverso ciclo, refor\u00e7ado pela car\u00eancia de recursos e pela descontinuidade das a\u00e7\u00f5es administrativas nos estados e munic\u00edpios, al\u00e9m da leni\u00eancia e da corrup\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>No cen\u00e1rio mundial, desempenho do Brasil \u00e9 baixo<\/strong><\/p>\n<p>Dados do Global Health Observatory Data Repository, mantido pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), revelam que do grupo de pa\u00edses com modelos p\u00fablicos de atendimento de acesso universal o Brasil era, em 2013, o que tinha a menor participa\u00e7\u00e3o do Estado (Uni\u00e3o, Estados e Munic\u00edpios) no financiamento da sa\u00fade. Esta \u00e9 analise mais recente com rela\u00e7\u00e3o ao tema.<\/p>\n<p>Considerando a fatia p\u00fablica do total das despesas em sa\u00fade, no Brasil, esse percentual \u00e9 de 48,2%. A propor\u00e7\u00e3o \u00e9 baixa se comparada ao verificado em pa\u00edses como o Reino Unido (83,5%), Fran\u00e7a (77,5%), Alemanha (76,8%), Espanha (70,4%), Canad\u00e1 (69,8%), Argentina (67,7%) e Austr\u00e1lia (66,6%).<\/p>\n<p>Em se tratando de despesas em sa\u00fade per capita, em d\u00f3lares, o Brasil, que gasta US$ 1.085, incluindo os gastos feitos pelos setores p\u00fablico e privado. Seu desempenho s\u00f3 n\u00e3o est\u00e1 pior do que a Argentina (US$ 1.074). Estamos deficit\u00e1rios em rela\u00e7\u00e3o a todos os demais pa\u00edses mencionados: Canad\u00e1 (US$ 5.718), Alemanha (US$ 5.006), Fran\u00e7a (US$ 4.864), Reino Unido (US$ 3.598), Espanha (US$ 2.581).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.cremeb.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Pesquisa-CFM-02.png\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-6038\" src=\"http:\/\/www.cremeb.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Pesquisa-CFM-02-339x268.png\" alt=\"Pesquisa CFM 02\" width=\"339\" height=\"268\" srcset=\"https:\/\/www.cremeb.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Pesquisa-CFM-02-339x268.png 339w, https:\/\/www.cremeb.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Pesquisa-CFM-02.png 576w\" sizes=\"(max-width: 339px) 100vw, 339px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Leia tamb\u00e9m:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/portal.cfm.org.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=25986:2016-02-18-12-40-34&amp;catid=3\" target=\"_blank\">Contrastes marcam quadro nacional de gastos em sa\u00fade<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/portal.cfm.org.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=25987:2016-02-19-11-44-05&amp;catid=3\" target=\"_blank\">Baixo investimento em sa\u00fade tem impacto em indicadores<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Salvador \u00e9 a capital que menos gasta, proporcionalmente, com a sa\u00fade p\u00fablica de seus habitantes no pa\u00eds. \u00c9 o que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_expiration-date-status":"saved","_expiration-date":0,"_expiration-date-type":"","_expiration-date-categories":[],"_expiration-date-options":[]},"categories":[1,52],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6036"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6036"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6036\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6045,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6036\/revisions\/6045"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6036"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6036"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6036"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}