{"id":573,"date":"2015-10-13T18:00:13","date_gmt":"2015-10-13T18:00:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.cremeb.org.br\/wordpress\/?p=573"},"modified":"2015-11-20T14:43:46","modified_gmt":"2015-11-20T14:43:46","slug":"para-93-da-populacao-a-saude-brasil-e-considerada-pessima-ruim-ou-regular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/noticias\/para-93-da-populacao-a-saude-brasil-e-considerada-pessima-ruim-ou-regular\/","title":{"rendered":"Para 93% da popula\u00e7\u00e3o, a sa\u00fade Brasil \u00e9 considerada p\u00e9ssima, ruim ou regular"},"content":{"rendered":"<div id=\"textoPagina\">\n<p>Os servi\u00e7os de sa\u00fade no Brasil s\u00e3o p\u00e9ssimos, ruins ou regulares para 93% dos brasileiros. Entre os usu\u00e1rios do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), 87% dos entrevistados t\u00eam uma avalia\u00e7\u00e3o negativa dos servi\u00e7os oferecidos. Cerca de dois em cada dez brasileiros atribuem nota zero para ambos (sa\u00fade no Brasil e SUS). Em todas as regi\u00f5es e segmentos avaliados, o \u00edndice de p\u00e9ssimo\/ ruim \u00e9 mais elevado, com destaque entre os moradores do Sudeste e regi\u00f5es metropolitanas, entre as mulheres e quanto mais escolarizado for o entrevistado.<\/p>\n<p>Essas avalia\u00e7\u00f5es integram a segunda edi\u00e7\u00e3o de pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha a pedido do Conselho Federal de Medicina (CFM) sobre o atendimento na \u00e1rea da sa\u00fade. Na compara\u00e7\u00e3o com a edi\u00e7\u00e3o anterior, realizada no ano passado, a pesquisa refor\u00e7a necessidades de aprimoramento na gest\u00e3o, infraestrutura e financiamento na rede p\u00fablica. A pesquisa teve abrang\u00eancia nacional, incluindo \u00e1reas metropolitanas e cidades do interior de diferentes portes, moradores nas cinco Regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Foram ouvidas 2.069 pessoas &#8211; 59% delas residentes no interior &#8211; entre os dias 10 a 12 de agosto. A amostra composta por homens e mulheres com idade superior a 16 anos ou mais respondeu a um question\u00e1rio estruturado que, entre outros pontos, avaliou ainda a percep\u00e7\u00e3o do grupo acerca do acesso, utiliza\u00e7\u00e3o e qualidade dos servi\u00e7os oferecidos pelo SUS. Algumas quest\u00f5es tamb\u00e9m se detiveram sobre o tempo de espera pelos diferentes procedimentos e a avalia\u00e7\u00e3o sobre a capacidade da gest\u00e3o de cuidar bem dos interesses da popula\u00e7\u00e3o nesta nevr\u00e1lgica das pol\u00edticas p\u00fablicas e sociais.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/portal.cfm.org.br\/images\/PDF\/pesquisadatafolhacfm2015.pdf\" target=\"_blank\"><em>CLIQUE AQUI PARA ACESSAR A PESQUISA NA \u00cdNTEGRA<\/em><\/a><\/p>\n<p><strong>\u00c1rea priorit\u00e1ria<\/strong>\u00a0&#8211; De acordo com o inqu\u00e9rito do Datafolha, a sa\u00fade no Brasil \u00e9 apontada por 43% dos entrevistados como tema que deveria ser tratado como prioridade pelo Governo Federal. Chamou a aten\u00e7\u00e3o o fato de que as \u00e1reas de educa\u00e7\u00e3o (27%) e combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o (10%) tiveram crescimento na escala apontada pelos entrevistados. Contudo, apesar do avan\u00e7o, a dist\u00e2ncia entre elas e a sa\u00fade permanece significativa.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio da pesquisa revela ainda que a import\u00e2ncia atribu\u00edda \u00e0 Sa\u00fade \u00e9 maior entre as mulheres, os mais velhos e no grupo de pessoas com menor escolaridade. Por outro lado, a educa\u00e7\u00e3o ganha destaque entre os homens, entre os entrevistados mais jovens e com maior n\u00edvel educacional.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m constam da rela\u00e7\u00e3o citada pelos entrevistados o combate ao desemprego (7%), seguran\u00e7a (6%), e combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o (3%), assim como moradia, transporte e meio ambiente, todos com menos de 2% na pesquisa. O posicionamento alcan\u00e7ado pela sa\u00fade, o mesmo do estudo de 2014, refor\u00e7a a percep\u00e7\u00e3o medidas em outras sondagens, o que demonstra que a sa\u00fade permanece como o grande n\u00f3 da gest\u00e3o em diferentes governos.<\/p>\n<p><strong>Dificuldade de acesso<\/strong>\u00a0&#8211; Essa necessidade de que a sa\u00fade tenha maior destaque no \u00e2mbito governamental resulta de uma percep\u00e7\u00e3o declarada que aponta para uma grande dificuldade de acesso aos servi\u00e7os da rede p\u00fablica. Num primeiro momento, os entrevistados revelaram que o SUS \u00e9 um sistema constantemente acionado pela popula\u00e7\u00e3o. Um total de 86% deles (diretamente ou por proximidade com algu\u00e9m da fam\u00edlia) declarou ter procurado a rede p\u00fablica.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o grau de resolutividade cai \u00e0 medida que o n\u00edvel de complexidade dos procedimentos solicitados aumenta. Atendimento nos postos de sa\u00fade e consultas m\u00e9dicas foram os servi\u00e7os mais procurados e os mais utilizados pela popula\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos dois anos. Por\u00e9m, na avalia\u00e7\u00e3o feita para cada um dos dez servi\u00e7os estudados, mais da metade dos entrevistados que buscou o SUS relatou ser dif\u00edcil ou muito dif\u00edcil conseguir o procedimento pretendido, especialmente quando se trata de cirurgias (63%).<\/p>\n<p>Atendimento domiciliar e procedimentos espec\u00edficos de maior complexidade (di\u00e1lise, radioterapia, quimioterapia, entre outros) &#8211; ambos com 50% &#8211; tamb\u00e9m possuem uma avalia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica. Dentre os dez servi\u00e7os estudados, apenas aqueles que se referiam ao atendimento nos postos de sa\u00fade e \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o gratuita de rem\u00e9dios pela rede p\u00fablica tiverem \u00edndice de reprova\u00e7\u00e3o menor, chegando a 43%.<\/p>\n<p><strong>Qualidade dos servi\u00e7os<\/strong>\u00a0&#8211; A pesquisa tamb\u00e9m procurou medir a opini\u00e3o dos brasileiros sobre a satisfa\u00e7\u00e3o com o atendimento ofertado. Mas os n\u00fameros est\u00e3o longe de serem bons. Aproximadamente sete em cada dez pessoas que buscaram o SUS disseram estar insatisfeitos e atribu\u00edram \u00e0 rede p\u00fablica como um todo conceitos que v\u00e3o do p\u00e9ssimo a regular. As percep\u00e7\u00f5es mais negativas est\u00e3o relacionadas aos atendimentos de emerg\u00eancias nos prontos-socorros (69%) e nos postos de sa\u00fade (65%).<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, com \u00edndices negativos que v\u00e3o de 60% a 50%, aparecem, em ordem decrescente, consultas com m\u00e9dicos, exames de laborat\u00f3rio, interna\u00e7\u00f5es hospitalares, consultas com n\u00e3o m\u00e9dicos, procedimentos espec\u00edficos de m\u00e9dia e alta complexidade, distribui\u00e7\u00e3o de rem\u00e9dios gratuitos e atendimento domiciliar. O servi\u00e7o com avalia\u00e7\u00e3o menos negativa foi a oferta de cirurgias, com 45% dos entrevistados atribuindo-lhe conceitos correspondentes a p\u00e9ssimo, ruim e regular. Por outro lado, 55%, consideraram cirurgias boas, \u00f3timas ou excelentes.<\/p>\n<p>Para a maioria dos usu\u00e1rios dos servi\u00e7os que deram avalia\u00e7\u00e3o negativa ao atendimento pelo SUS (54%), o tempo de espera (36%), o baixo n\u00famero de m\u00e9dicos (19%) e a falta de estrutura (15%) e de organiza\u00e7\u00e3o (9%) foram os fatores que mais impactaram nesta percep\u00e7\u00e3o. J\u00e1 para os que deram notas positivas ao Sistema \u00danico de Sa\u00fade (46%), a pouca demora (19%), a disponibilidade dos m\u00e9dicos (17%), o cuidado dispensado por esses profissionais (15%) e a estrutura existente (11%) ajudaram no processo.<\/p>\n<p><strong>Tempo de espera<\/strong>\u00a0&#8211; Dos entrevistados, 29% declararam estar \u00e0 espera de atendimento na rede p\u00fablica. O n\u00famero \u00e9 um ponto percentual menor que o de 2014. Deste grupo, 36% aguardavam para fazer consultas, 33% buscavam exames e 28% cirurgias. Neste aspecto o que se destaca \u00e9 o aumento do volume daqueles que est\u00e3o na fila por uma resposta do SUS h\u00e1 mais de seis meses. O \u00edndice passou de 29%, no ano passado, para 41%, em 2015.<\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso, o tempo de espera para atendimento \u00e9 o fator que tem pior avalia\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito do SUS. Para 89% dos entrevistados, esta dimens\u00e3o merece notas que representam os conceitos p\u00e9ssimo, ruim ou regular. Na sequ\u00eancia aparecem os seguintes aspectos: quantidade de m\u00e9dicos (85% de avalia\u00e7\u00e3o negativa), qualidade da administra\u00e7\u00e3o das unidades (83%) e quantidade de leitos de interna\u00e7\u00e3o ou de UTI (81%).<\/p>\n<p><strong>Problemas de gest\u00e3o<\/strong>\u00a0&#8211; Para parcela significativa dos brasileiros, a percep\u00e7\u00e3o ruim sobre os servi\u00e7os do SUS tamb\u00e9m decorre da aus\u00eancia de medidas que assegurem o bom funcionamento da rede p\u00fablica. As avalia\u00e7\u00f5es negativas n\u00e3o se restringem \u00e0 atividade fim do sistema de sa\u00fade (atendimento). H\u00e1 cr\u00edticas tamb\u00e9m \u00e0 gest\u00e3o e ao financiamento do SUS.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa, para a maioria da popula\u00e7\u00e3o (77%) o governo tem falhado na gest\u00e3o dos recursos da sa\u00fade p\u00fablica. Na opini\u00e3o de 53% dos entrevistados, o SUS n\u00e3o tem recursos suficientes para atender bem a todos, de forma equ\u00e2nime. Por outro lado, \u00e9 elevada a concord\u00e2ncia com a ideia de que os m\u00e9dicos precisam de estrutura para trabalhar (93%) e que merecem ser valorizados (86%).<\/p>\n<p>Para o presidente do CFM, Carlos Vital, essa percep\u00e7\u00e3o sobre as finan\u00e7as do setor est\u00e1 diretamente relacionada \u00e0 m\u00e1 gest\u00e3o dos recursos p\u00fablicos na \u00e1rea. &#8220;Levantamentos recentes elaborados pelo CFM t\u00eam denunciado a situa\u00e7\u00e3o do financiamento e da infraestrutura da sa\u00fade no pa\u00eds. O \u00faltimo deles revelou que, entre 2003 e agosto deste ano, mais de R$ 171 bilh\u00f5es do or\u00e7amento do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade deixaram de ser efetivamente gastos. A popula\u00e7\u00e3o tem observado que n\u00e3o h\u00e1 um esfor\u00e7o para priorizar a Sa\u00fade. Sem estes recursos, os brasileiros certamente ser\u00e3o ainda mais prejudicados pela falta de infraestrutura e equipamentos fundamentais para a assist\u00eancia&#8221;.<\/p>\n<p>Ao concluir sua avalia\u00e7\u00e3o, Vital lembrou ainda que &#8220;os problemas come\u00e7am com a defini\u00e7\u00e3o de prioridades e se estendem para a transposi\u00e7\u00e3o de metas e para o or\u00e7amento e sua execu\u00e7\u00e3o. Trata-se de um perverso ciclo, refor\u00e7ado pela car\u00eancia de recursos e pela descontinuidade das a\u00e7\u00f5es administrativas nos estados e munic\u00edpios, al\u00e9m da leni\u00eancia e da corrup\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"fonteItem\"><strong>Fonte: <\/strong>CFM | Portal M\u00e9dico<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os servi\u00e7os de sa\u00fade no Brasil s\u00e3o p\u00e9ssimos, ruins ou regulares para 93% dos brasileiros. 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