{"id":44442,"date":"2024-10-22T14:48:34","date_gmt":"2024-10-22T17:48:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/?p=44442"},"modified":"2025-01-07T09:11:09","modified_gmt":"2025-01-07T12:11:09","slug":"levantamento-do-cfm-comprova-onda-de-violencia-contra-medicos-em-ambiente-de-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/noticias\/levantamento-do-cfm-comprova-onda-de-violencia-contra-medicos-em-ambiente-de-trabalho\/","title":{"rendered":"Levantamento do CFM comprova onda de viol\u00eancia contra m\u00e9dicos em ambiente de trabalho"},"content":{"rendered":"<p>Um m\u00e9dico \u00e9 v\u00edtima de viol\u00eancia enquanto trabalha em um estabelecimento de sa\u00fade no Brasil a cada tr\u00eas horas. Isto \u00e9 o que revela levantamento in\u00e9dito feito pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) com base na quantidade de boletins de ocorr\u00eancia (BOs) registrados nas delegacias de Pol\u00edcia Civil dos estados brasileiros e do Distrito Federal entre 2013 e 2024. Os dados mostram que a situa\u00e7\u00e3o fica cada vez mais fora de controle, uma vez que o volume de queixas vem aumentando ano ap\u00f3s ano. O recorde foi batido em 2023, mas os dados completos de 2024 somente ser\u00e3o conhecidos ano que vem.<\/p>\n<p>Desde 2013, o CFM apurou que foram contabilizados 38 mil boletins de ocorr\u00eancia (BOs) em que m\u00e9dicos foram v\u00edtimas de amea\u00e7a, inj\u00faria, desacato, les\u00e3o corporal, difama\u00e7\u00e3o, entre outros crimes, dentro de unidades de sa\u00fade, hospitais, consult\u00f3rios, cl\u00ednicas, prontos-socorros, laborat\u00f3rios e outros espa\u00e7os semelhantes. Cerca de 47% dos registros foram contra mulheres. H\u00e1, inclusive, registros de mortes suspeitas de m\u00e9dicos dentro de estabelecimentos de sa\u00fade.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-44443 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.cremeb.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/lsp_a521f56afbc0ac6edb412525b8883e94_221024-054748-403x211.png\" alt=\"\" width=\"403\" height=\"211\" srcset=\"https:\/\/www.cremeb.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/lsp_a521f56afbc0ac6edb412525b8883e94_221024-054748-403x211.png 403w, https:\/\/www.cremeb.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/lsp_a521f56afbc0ac6edb412525b8883e94_221024-054748-768x402.png 768w, https:\/\/www.cremeb.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/lsp_a521f56afbc0ac6edb412525b8883e94_221024-054748.png 981w\" sizes=\"(max-width: 403px) 100vw, 403px\" \/><\/p>\n<p>Em 2013, foram registrados pouco mais de 2,6 mil BOs em que um profissional da categoria sofreu algum tipo de viol\u00eancia enquanto trabalhava, seja num ambiente hospitalar p\u00fablico ou privado. Esse n\u00famero chegou \u00e0 marca de 3.981 casos em 2023, a maior da s\u00e9rie hist\u00f3rica. Isso significa dizer que, em m\u00e9dia, apenas no ano passado, foram contabilizados 11 boletins de ocorr\u00eancia por dia no Pa\u00eds por conta de situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia contra m\u00e9dicos no local onde atuam. A m\u00e9dia \u00e9 de dois incidentes por hora.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cremeb.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/lsp_d7210eb07c33d93873ddd6de4590ee19_221024-054448.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Clique aqui para ver a s\u00e9rie hist\u00f3rica.<\/a><\/p>\n<p>A distribui\u00e7\u00e3o de ocorr\u00eancias entre capital (sem considerar regi\u00e3o metropolitana) e interior mostra que 66% dos casos ocorreram no interior. De acordo com os dados levantados pelo CFM, os autores dos atos violentos s\u00e3o, em grande parte, pacientes, familiares dos atendidos e desconhecidos. H\u00e1 ainda casos minorit\u00e1rios de amea\u00e7a, inj\u00faria e at\u00e9 les\u00e3o corporal cometidos por colegas de trabalho, incluindo enfermeiros, t\u00e9cnicos, servidores e outros profissionais da sa\u00fade.<\/p>\n<p><strong>Estados mais violentos \u2013<\/strong>\u00a0S\u00e3o Paulo, que tem o maior n\u00famero de registros m\u00e9dicos do Brasil (26% do total), registrou praticamente a metade dos casos de viol\u00eancia existentes, em termos absolutos. Foram 18 mil dos 38 mil registrados. No estado, pelas informa\u00e7\u00f5es fornecidas, \u00e9 poss\u00edvel saber que a m\u00e9dia de idade dos m\u00e9dicos que sofrem algum tipo de viol\u00eancia nos estabelecimentos de sa\u00fade \u00e9 de 42 anos. Cerca de 45% dos registros de viol\u00eancia em estabelecimentos de sa\u00fade paulistas foram contra m\u00e9dicas. Ou seja, foram 8,1 mil casos nos \u00faltimos 12 anos, uma m\u00e9dia de quase dois por dia.<\/p>\n<p>De acordo com os dados, 45% dos ataques a m\u00e9dicos em S\u00e3o Paulo (8,4 mil casos) ocorreram dentro de hospitais (pronto-socorro, CTI e UTI, centro cir\u00fargico, consult\u00f3rio). Em seguida, entre as maiores ocorr\u00eancias, est\u00e3o os postos de sa\u00fade (18%), cl\u00ednicas (17%), consult\u00f3rio (9%). O restante ocorreu em laborat\u00f3rios, casas de repousos e outros tipos de estabelecimentos.<\/p>\n<p>O Paran\u00e1, que aparece como o quinto estado com a maior quantidade de m\u00e9dicos, aparece em segundo lugar no ranking da viol\u00eancia contra profissionais sa\u00fade em estabelecimentos de sa\u00fade. Foram registrados, pelo menos, 3,9 mil casos de amea\u00e7a, ass\u00e9dio, les\u00e3o corporal, vias de fato, inj\u00faria, cal\u00fania, difama\u00e7\u00e3o, desacato e perturba\u00e7\u00e3o do trabalho contra m\u00e9dicos na unidade da Federa\u00e7\u00e3o entre 2013 e 2024 \u2013 a maior parte se refere \u00e0 les\u00e3o corporal. Curitiba concentra 12% dos registros.<\/p>\n<p>Em terceiro lugar est\u00e1 Minas Gerais, que \u00e9 o segundo estado com o maior n\u00famero de m\u00e9dicos do Brasil. A Pol\u00edcia Civil da unidade da Federa\u00e7\u00e3o registrou 3.617 boletins de ocorr\u00eancia, sendo 22% deles na capital, Belo Horizonte.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cremeb.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/lsp_08534be8eefa4e67a9c4ec820805ac93_221024-054606.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Clique aqui para ver os dados por estado.<\/a><\/p>\n<p>Se considerada a quantidade m\u00e9dia de boletins de ocorr\u00eancia registrados na s\u00e9rie hist\u00f3rica de 2013 a 2023, pelo n\u00famero de registros de m\u00e9dicos nos estados, Amap\u00e1, Roraima e Amazonas s\u00e3o as unidades da Federa\u00e7\u00e3o com mais registros de viol\u00eancia contra os profissionais. Pelos c\u00e1lculos do Conselho Federal de Medicina, a cada mil registros de m\u00e9dicos no Amap\u00e1, 39 casos de viol\u00eancia foram registrados. Em Roraima, foram 26 BOs para cada mil registros m\u00e9dicos, enquanto no Amazonas foram 24.<\/p>\n<p>J\u00e1 na outra ponta, considerando os estados que detalharam com precis\u00e3o a quantidade de m\u00e9dicos v\u00edtimas de viol\u00eancia em unidades de sa\u00fade, aparecem Esp\u00edrito Santo, com dois registros de BO por mil registros de m\u00e9dicos; Goi\u00e1s, com quatro registros; e Para\u00edba, com 4,9.<\/p>\n<p><strong>Inadmiss\u00edvel \u2013<\/strong>\u00a0Para o presidente do CFM, Jos\u00e9 Hiran Gallo, o n\u00famero de casos de viol\u00eancia contra m\u00e9dicos em estabelecimentos de sa\u00fade, especialmente p\u00fablicos, causa perplexidade e exige dos gestores do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) e da \u00e1rea de seguran\u00e7a p\u00fablica \u2013 em todas as inst\u00e2ncias (municipal, estadual e federal) \u2013 a ado\u00e7\u00e3o urgente de medidas efetivas para prevenir e combater a viol\u00eancia em todas as suas formas de manifesta\u00e7\u00e3o, sob pena de responsabiliza\u00e7\u00e3o de neglig\u00eancia com rela\u00e7\u00e3o a situa\u00e7\u00f5es desse tipo.<\/p>\n<p>\u201cO Conselho Federal de Medicina apela por provid\u00eancias urgentes contra esses abusos. Os profissionais carecem de seguran\u00e7a f\u00edsica dentro das unidades. N\u00e3o \u00e9 apenas o patrim\u00f4nio que precisa de cuidados. A garantia de condi\u00e7\u00f5es para o exerc\u00edcio da atividade m\u00e9dica, dentre os quais a oferta de espa\u00e7o seguro, \u00e9 imprescind\u00edvel, assim como o acesso dos pacientes ao direito fundamental \u00e0 sa\u00fade, tanto na rede p\u00fablica quanto na rede privada\u201d, alertou.<\/p>\n<p><strong>O que fazer \u2013\u00a0<\/strong>Desde pelo menos 2018, por meio de a\u00e7\u00f5es em seu site e redes sociais, o CFM tem orientado os m\u00e9dicos brasileiros sobre como agir diante epis\u00f3dios de amea\u00e7as ou agress\u00f5es. O CFM entende que \u00e9 preciso conscientizar o profissional a n\u00e3o ficar calado e denunciar os abusos.<\/p>\n<p>Em caso de amea\u00e7a, o m\u00e9dico deve registrar ocorr\u00eancia na delegacia mais pr\u00f3xima ou online; informar, por escrito, \u00e0s diretorias cl\u00ednica e t\u00e9cnica da unidade hospitalar sobre o ocorrido; e apresentar dados dos envolvidos e testemunhas. Ele deve encaminhar o paciente a outro colega, se n\u00e3o for caso de urg\u00eancia e emerg\u00eancia.<\/p>\n<p>Se a ocorr\u00eancia envolver agress\u00e3o f\u00edsica, o CFM indica o seguinte: comparecer \u00e0 delegacia mais pr\u00f3xima e registrar o BO (haver\u00e1 necessidade de exame do corpo de delito); apresentar dados dos envolvidos na agress\u00e3o e de testemunhas; comunicar o fato imediatamente \u00e0s diretorias cl\u00ednica e t\u00e9cnica da unidade hospitalar para que seja providenciado outro m\u00e9dico para assumir suas atividades.<\/p>\n<p><strong>Metodologia \u2013<\/strong>\u00a0Os dados foram coletados pelo CFM junto \u00e0s Pol\u00edcias Civis das 27 unidades da Federa\u00e7\u00e3o por meio da Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o (LAI). Foram solicitadas informa\u00e7\u00f5es do per\u00edodo entre 2013 e 2024 sobre a quantidade de boletins de ocorr\u00eancia registrados nas Pol\u00edcias Civis, com detalhes sobre o tipo de viol\u00eancia cometido, onde (hospital, cl\u00ednica, consult\u00f3rio, posto de sa\u00fade, etc.), perfil da v\u00edtima (sexo e idade), entre outros itens.<\/p>\n<p>Apenas o estado do Rio Grande do Norte n\u00e3o encaminhou as informa\u00e7\u00f5es solicitadas a tempo, sendo que o Acre informou n\u00e3o ter os dados em sua base. Mato Grosso e Paran\u00e1 informaram dados relativos \u00e0 viol\u00eancia em hospitais e cl\u00ednicas m\u00e9dicas contra qualquer profiss\u00e3o \u2013 a partir da\u00ed o CFM fez uma estimativa de um caso para 10 casos envolvendo s\u00f3 m\u00e9dicos. Estimativa semelhante foi feita com o Rio Grande do Sul, que forneceu apenas dados de viol\u00eancia contra m\u00e9dicos sem definir o local onde ocorreu o fato. J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o ao Rio de Janeiro, o levantamento considera apenas os registros de boletim de ocorr\u00eancia em que o m\u00e9dico \u00e9 identificado como v\u00edtima de viol\u00eancia em estabelecimento de sa\u00fade (milhares de casos de viol\u00eancia em estabelecimentos de sa\u00fade em que a profiss\u00e3o da v\u00edtima n\u00e3o foi preenchida no boletim de ocorr\u00eancia foram ignorados).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um m\u00e9dico \u00e9 v\u00edtima de viol\u00eancia enquanto trabalha em um estabelecimento de sa\u00fade no Brasil a cada tr\u00eas horas. 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