{"id":33479,"date":"2021-07-15T19:00:37","date_gmt":"2021-07-15T19:00:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cremeb.org.br\/?p=33479"},"modified":"2021-07-15T19:00:37","modified_gmt":"2021-07-15T19:00:37","slug":"14-de-julho-100-de-nascimento-do-psiquiatra-george-alakija","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/noticias\/14-de-julho-100-de-nascimento-do-psiquiatra-george-alakija\/","title":{"rendered":"14 de julho: 100 de nascimento do psiquiatra George Alakija"},"content":{"rendered":"<p>\u201cO centen\u00e1rio de doutor George Alakija se configura como de relev\u00e2ncia extraordin\u00e1ria pelos relevantes servi\u00e7os prestados \u00e0 psiquiatria baiana e brasileira, o que motivou a titula\u00e7\u00e3o de s\u00f3cio honor\u00e1rio outorgada pela Associa\u00e7\u00e3o Psiqui\u00e1trica da Bahia em 4 de abril de 2002, quando do cumprimento dos seus 55 anos de honrosa e \u00e9tica pr\u00e1tica profissional. O ato solene festejava o reconhecimento dos psiquiatras baianos ao seu ilustre colega, pelo seus logros intelectuais, cient\u00edficos e art\u00edsticos, validando o desejo de criar o novo a partir do conhecimento da trajet\u00f3ria de um colega mais experiente\u201d, diz Iordan Gurgel, m\u00e9dico psiquiatra, ex-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Psiqui\u00e1trica da Bahia.<\/p>\n<p>Entre a segunda metade da d\u00e9cada dos anos 90 e a primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo 21, George Alakija era o mais antigo e um dos mais representativos psiquiatras em exerc\u00edcio na Bahia, como recorda o m\u00e9dico legista e ex-presidente do Instituto Bahiano de Hist\u00f3ria da Medicina, Lamartine Lima. Ele ocupava a cadeira n\u00famero 34 do IBHM, cujo patrono \u00e9 Juliano Moreira. \u201cA sua presen\u00e7a constante, como titular, ouvinte, comentarista e conferencista do instituto enriquecia as reuni\u00f5es e tamb\u00e9m as sess\u00f5es da Academia Bahiana de M\u00e9dicos Escritores, do Instituto Geogr\u00e1fico e Hist\u00f3rico da Bahia e tamb\u00e9m de outras entidades culturais e cient\u00edficas das quais ele participava\u201d.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico psiquiatra Jos\u00e9 Carib\u00e9 comenta que, na d\u00e9cada de 40, George Alakija j\u00e1 era um dos mais referenciados m\u00e9dicos em Salvador. \u201cEle era o \u00fanico que utilizava a hipnose como instrumento auxiliar nos processos psicoterap\u00eauticos\u201d, diz o m\u00e9dico. \u201cCom ele muito aprendi acerca das melhores formas de cuidar dos pacientes, orientar suas fam\u00edlias e de eleger as mais eficientes estrat\u00e9gias de tratamento\u201d.<\/p>\n<p>Para o psiquiatra e psicoterapeuta Bernardo Assis, George Alakija foi um percursor da Psiquiatria transcultural. \u201cJunto com Rubim de Pinho, foram os psiquiatras na Bahia que estabeleceram conex\u00f5es com nosso universo cultural e an\u00edmico\u201d. Ele tamb\u00e9m ministrou v\u00e1rios cursos para m\u00e9dicos de Treinamento Autogeno de Schultz em sua associa\u00e7\u00e3o com a hipnoterapia, contribuindo para a divulga\u00e7\u00e3o no pa\u00eds de m\u00e9todos psiqui\u00e1tricos n\u00e3o farmacol\u00f3gicos\u201d, completa o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>\u201cAlakija foi o pioneiro da hipnose cl\u00ednica na Bahia. Ele \u00e9 um marco para a psiquiatria no estado\u201d, diz a m\u00e9dica psiquiatra Rosa Garcia. \u201cEle era um psicoterapeuta que demonstrava profundo conhecimento do pensamento freudiano; ele exercia a psiquiatria dentro de um modelo din\u00e2mico, assim como a psican\u00e1lise, valorizando os sentimentos e o desenvolvimento emocional do paciente\u201d. Outro aspecto enfatizado pela m\u00e9dica \u00e9 o da sua cultura geral e human\u00edstica. \u201cCom certeza o aspecto cultural influenciava o seu trabalho e sem d\u00favida isso fez com que ele contribu\u00edsse tamb\u00e9m para a Psiquiatria transcultural\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNada mais justo e necess\u00e1rio que manter viva a mem\u00f3ria de Alakija e seu nome junto \u00e0 comunidade baiana\u201d, opina o psiquiatra Augusto Concei\u00e7\u00e3o, fundador da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psiquiatria Cultural (Regional\u2014Bahia). Dessa forma, o psiquiatra faz um chamamento aos profissionais da \u00e1rea para refletirem sobre os conhecimentos cient\u00edficos desenvolvidos pelo m\u00e9dico e o de seus antecessores, que tinham diferentes olhares sobre a cultura.<\/p>\n<div id=\"attachment_33482\" style=\"width: 413px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.cremeb.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/lsp_2a4856988aff07ce53d092518b9267c6_150721-065613.png\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-33482\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-33482 size-medium\" src=\"http:\/\/www.cremeb.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/lsp_2a4856988aff07ce53d092518b9267c6_150721-065613-403x251.png\" alt=\"\" width=\"403\" height=\"251\" srcset=\"https:\/\/www.cremeb.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/lsp_2a4856988aff07ce53d092518b9267c6_150721-065613-403x251.png 403w, https:\/\/www.cremeb.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/lsp_2a4856988aff07ce53d092518b9267c6_150721-065613.png 684w\" sizes=\"(max-width: 403px) 100vw, 403px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-33482\" class=\"wp-caption-text\">George Alakija (\u00e0 direita) com o ativista Raimundo Buj\u00e3o e o ent\u00e3o Ministro da Cultura da Nig\u00e9ria, Ojo Maduekwe, em 1999 \/ Reprodu\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p><strong>Legado<\/strong><\/p>\n<p>O psiquiatra baiano deixou um legado de experi\u00eancias e contribui\u00e7\u00f5es \u00e0 \u00e1rea m\u00e9dica atrav\u00e9s de confer\u00eancias e artigos especialmente sobre a psiquiatria e a hipnose publicados em revistas cient\u00edficas e acad\u00eamicas. Ele publicou dois livros: Hipnose Pitoresca (1980), interfaciando Sofrologia; e Feche os Olhos, Relaxe e Durma (1992). Alakija publicou tamb\u00e9m A Casa da Lapinha (2002), uma refer\u00eancia ao primeiro servi\u00e7o ambulatorial psiqui\u00e1trico da Bahia fundado em 1944 e do qual ele fez parte como interno e depois como profissional\u2013antes s\u00f3 havia o Hospital Juliano Moreira, fundado em 1874 e que funcionava como manic\u00f4mio. Quando faleceu, Alakija estava escrevendo um terceiro livro sobre hipnose, que deixou inacabado.<\/p>\n<p>Outro trabalho da sua autoria \u201cThe Trance State in the Candomble \u2013 A Sophological Study\u201d (\u201cO Estado de Transe no Candombl\u00e9 \u2013 Um estudo Sofrol\u00f3gico\u201d) remota a conex\u00e3o entre as suas experi\u00eancias cl\u00ednicas psiqui\u00e1tricas com a hipnose e regress\u00e3o e a di\u00e1spora africana. Na obra, apresentada no Col\u00f3quio Civiliza\u00e7\u00e3o Negra e Cultura, em 1977, em Lagos, na Nig\u00e9ria, o psiquiatra reconhece o transe ritual\u00edstico (e tamb\u00e9m o medi\u00fanico) como similar ao estado hipn\u00f3tico.<\/p>\n<p>Uma posi\u00e7\u00e3o antag\u00f4nica nas ci\u00eancias m\u00e9dicas que historicamente viam esses fen\u00f4menos como patol\u00f3gicos\u2013\u2013um olhar da cultura hegem\u00f4nica. Na \u00e9poca de apresenta\u00e7\u00e3o desse trabalho, o m\u00e9dico cumpriu uma miss\u00e3o cultural \u00e0 frente de uma delega\u00e7\u00e3o de cientistas, intelectuais e artistas afro-brasileiros no Festival Mundial de Artes e Cultura Negra. Por conta dessa miss\u00e3o recebeu da presid\u00eancia da Rep\u00fablica, a Comenda da Ordem do Rio Branco no grau de comendador. Em 2003, uma comiss\u00e3o de representantes da Sociedade Igbimo Agba Yoruba, de Oyo (Nig\u00e9ria) veio especialmente \u00e0 Bahia para agraci\u00e1-lo e conferiu a ele o t\u00edtulo de membro do conselho de anci\u00e3os da entidade, uma defer\u00eancia feita exclusivamente a pessoas de origem ioruba acima de 60 anos.<\/p>\n<p><strong>Bio<\/strong><\/p>\n<p>George de Assump\u00e7\u00e3o Alakija nasceu a 14 de julho de 1921 em Salvador, estado da Bahia, e faleceu a 11 de junho de 2005. Foi o primeiro m\u00e9dico psiquiatra formado pela primeira turma da Faculdade de Medicina da UFBa (1946) e o \u00fanico a exercer a Psiquiatria. Alakija construiu uma trajet\u00f3ria pr\u00f3pria interfaceando a medicina, psiquiatria e hipnose com a cultura. O m\u00e9dico baiano atravessou a fronteira dos conhecimentos da medicina ocidental como um estudioso da medicina e filosofia oriental. Ele agregou a seus conhecimentos a conex\u00e3o entre psiquiatria e espiritualismo. A memorializa\u00e7\u00e3o dos seus cem anos representa tamb\u00e9m a celebra\u00e7\u00e3o do avan\u00e7o da medicina moderna, da psiquiatria, da hipnose e da conex\u00e3o dessas disciplinas com novas leituras da sociedade baiana e sua cultura a partir da primeira metade do s\u00e9culo 20 ao in\u00edcio do s\u00e9culo 21.<\/p>\n<p><em>*Texto de m\u00faltipla autoria, publicado no site <a href=\"http:\/\/flordedende.com.br\/colegas-e-familiares-festejam-centenario-de-george-alakija\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Flor de Dend\u00ea<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO centen\u00e1rio de doutor George Alakija se configura como de relev\u00e2ncia extraordin\u00e1ria pelos relevantes servi\u00e7os prestados \u00e0 psiquiatria baiana e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":33480,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_expiration-date-status":"saved","_expiration-date":0,"_expiration-date-type":"","_expiration-date-categories":[],"_expiration-date-options":[]},"categories":[1,28],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33479"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33479"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33479\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33483,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33479\/revisions\/33483"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33480"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33479"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33479"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33479"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}