{"id":22878,"date":"2019-03-08T12:40:20","date_gmt":"2019-03-08T12:40:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cremeb.org.br\/?p=22878"},"modified":"2019-04-12T18:38:02","modified_gmt":"2019-04-12T18:38:02","slug":"dia-da-mulher-conheca-maria-odilia-teixeira-a-primeira-medica-negra-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/noticias\/dia-da-mulher-conheca-maria-odilia-teixeira-a-primeira-medica-negra-do-brasil\/","title":{"rendered":"Dia da Mulher: conhe\u00e7a Maria Od\u00edlia Teixeira, a primeira m\u00e9dica negra do Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Era 15 de dezembro de 1909, num Brasil machista e preconceituoso, quando Maria Od\u00edlia Teixeira, baiana de S\u00e3o F\u00e9lix do Paragua\u00e7u, superou as estat\u00edsticas e formou-se em medicina, sendo a primeira m\u00e9dica negra do Brasil. Como se n\u00e3o bastasse o feito in\u00e9dito para a sua ra\u00e7a, a m\u00e9dica foi tamb\u00e9m a primeira professora negra da Faculdade de Medicina da Bahia (cinco anos ap\u00f3s conclus\u00e3o de curso, lecionando Cl\u00ednica Obst\u00e9trica), e inovou na sua tese inaugural quando pesquisou o tratamento da cirrose, enquanto as sete m\u00e9dicas anteriores debru\u00e7aram-se sobre tocoginecologia ou pediatria.<\/p>\n<p>Seu pai, Dr. Jos\u00e9 Teixeira, era m\u00e9dico, mas de origem pobre; criou a fam\u00edlia com muito sacrif\u00edcio. E foi gra\u00e7as a ajuda de um dos irm\u00e3os (Tertuliano Teixeira), bacharel em Direito, que Maria Od\u00edlia concluiu o curso de Medicina e tornou-se tamb\u00e9m a primeira mulher a ser diplomada em Medicina no S\u00e9c. XX.<\/p>\n<p>\u201cA humildade da fam\u00edlia n\u00e3o foi uma barreira para o seu conhecimento cultural, muito pelo contr\u00e1rio. Minha m\u00e3e, sem nunca ter sa\u00eddo do Brasil, falava cinco l\u00ednguas fluentemente, e n\u00e3o concebia como os professores ousavam ensinar o portugu\u00eas, sem ao menos dominar o grego e o latim\u201d, conta ao Cremeb o tamb\u00e9m m\u00e9dico Jos\u00e9 Leo Lavigne, um dos seus dois filhos.<\/p>\n<p>O legado para a Medicina ultrapassa a pesquisa, doc\u00eancia e exerc\u00edcio da profiss\u00e3o quando o assunto gira em torno da Dra. Maria Od\u00edlia Teixeira. Assim como o seu pai, ela segue sendo refer\u00eancia de conduta profissional para os demais familiares. Na carreira m\u00e9dica ela deixou um filho, dois netos e duas bisnetas, enquanto uma terceira bisneta cursa o sexto semestre da profiss\u00e3o. \u201cAcredito que toda a minha paix\u00e3o pelo cuidar veio da minha bisa Od\u00edlia. Formar-se em Medicina sendo mulher negra h\u00e1 tanto tempo n\u00e3o deve ter sido f\u00e1cil. Muita luta, muita for\u00e7a e muito amor\u201d, detalha a bisneta Paula Lavigne, estudante de medicina.<\/p>\n<p>\u201cExerceu a Medicina com dignidade, zelando pelos seus pacientes e respeitando a todos ao seu redor. Mulher meiga e forte, um exemplo de vida. Os seus passos tamb\u00e9m v\u00eam guiando os meus\u201d, conta a bisneta e m\u00e9dica oftalmologista, Luciana Lavigne. J\u00e1 a bisneta Iana Lavigne, tamb\u00e9m m\u00e9dica oftalmologista, afirma ter \u201cum estimado apre\u00e7o e reconhecimento por sua honrosa hist\u00f3ria e trabalho, e isso se faz presente diariamente em minha vida profissional\u201d.<\/p>\n<p>A gana de uma mulher \u00e0 frente do seu tempo era not\u00f3ria em diversas a\u00e7\u00f5es de Maria Od\u00edlia. Ela encarou os feitos da ditadura do Estado Novo e defendeu sua fam\u00edlia, em Ilh\u00e9us, em 1937, quando o seu marido Eus\u00ednio Gaston Lavigne teve o seu mandato de prefeito destitu\u00eddo. Quase trinta anos depois, em 1964, sofreu com a pris\u00e3o de seu companheiro durante a ditadura militar. E, quando o pol\u00edtico Ruy Santos planejou publicar um livro desmerecendo os feitos do seu pai \u2013 Teixeira Moleque, Ed. Jos\u00e9 Olympio, 1960 -, a primeira m\u00e9dica negra do Brasil lhe escreveu uma longa carta chamando aten\u00e7\u00e3o sobre o pretendia fazer.<\/p>\n<div id=\"attachment_22880\" style=\"width: 387px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-22880\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-22880 size-full\" src=\"http:\/\/www.cremeb.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/lsp_4e21d11e447ba94b316e9a48ce8e3b4f_080319-114826.jpg\" alt=\"\" width=\"377\" height=\"284\" srcset=\"https:\/\/www.cremeb.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/lsp_4e21d11e447ba94b316e9a48ce8e3b4f_080319-114826.jpg 377w, https:\/\/www.cremeb.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/lsp_4e21d11e447ba94b316e9a48ce8e3b4f_080319-114826-356x268.jpg 356w\" sizes=\"(max-width: 377px) 100vw, 377px\" \/><p id=\"caption-attachment-22880\" class=\"wp-caption-text\">Maria Od\u00edlia, ao lado do seu marido, Eus\u00ednio Lavigne<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: left;\">Ao lembrar da refer\u00eancia cultural que a matriarca era para a fam\u00edlia, um dos seus dois netos que seguiu a medicina, Eus\u00ednio Lavigne Neto, retoma um caso ainda da sua inf\u00e2ncia. \u201cCerta feita, n\u00f3s ganhamos uma gincana do col\u00e9gio por causa dela. A miss\u00e3o era explicar a origem das nomenclaturas dos dias da semana, informa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tinha nem enciclop\u00e9dia Barsa. N\u00e3o deu outra: ela sabia tudo e n\u00f3s levamos a prova\u201d, relembra.<\/p>\n<p>Para dedicar-se \u00e0 fam\u00edlia, apesar de n\u00e3o haver exig\u00eancia do marido, Dra. Maria Od\u00edlia Teixeira abandonou a profiss\u00e3o m\u00e9dica. Naquela \u00e9poca, d\u00e9cada de 1920, o movimento feminista acumulava os seus primeiros avan\u00e7os e ainda n\u00e3o tinha obtido, por exemplo, direito ao voto para as mulheres. E foi nesse cen\u00e1rio que a primeira m\u00e9dica negra do Brasil escreveu o seu nome na hist\u00f3ria: com independ\u00eancia profissional, sendo exemplo para a juventude da sua fam\u00edlia e s\u00edmbolo de orgulho para a medicina, para as mulheres e para o povo negro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era 15 de dezembro de 1909, num Brasil machista e preconceituoso, quando Maria Od\u00edlia Teixeira, baiana de S\u00e3o F\u00e9lix do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":22883,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_expiration-date-status":"saved","_expiration-date":0,"_expiration-date-type":"","_expiration-date-categories":[],"_expiration-date-options":[]},"categories":[1],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22878"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22878"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22878\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22885,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22878\/revisions\/22885"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22883"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22878"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22878"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22878"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}