{"id":18645,"date":"2018-05-21T12:36:35","date_gmt":"2018-05-21T12:36:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cremeb.org.br\/?p=18645"},"modified":"2018-09-28T19:15:07","modified_gmt":"2018-09-28T19:15:07","slug":"18645","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/noticias\/18645\/","title":{"rendered":"CFM e outras entidades m\u00e9dicas e esportivas lan\u00e7am guia para prevenir casos de doping"},"content":{"rendered":"<p>Os m\u00e9dicos e atletas brasileiros podem contar a partir desta sexta-feira (11) com um guia pr\u00e1tico, com orienta\u00e7\u00f5es objetivas, sobre os riscos do doping causado pelo uso de medicamentos e suplementos. O documento de 72 p\u00e1ginas foi produzido pela C\u00e2mara T\u00e9cnica de Medicina do Esporte do Conselho Federal de Medicina (CFM) e contou com a contribui\u00e7\u00e3o de especialistas da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte (SBMEE), do Comit\u00ea Ol\u00edmpico Brasileiro (COB), do Comit\u00ea Paral\u00edmpico Brasileiro (CPB), da Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol (CBF) e da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/portal.cfm.org.br\/images\/PDF\/medicina_esporte.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Clique aqui<\/a> para baixar o documento.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do lan\u00e7amento do guia, que acontece hoje durante o IV F\u00f3rum de Medicina do Esporte, o Conselho Federal de Medicina e as outras entidades devem anunciar ainda um esfor\u00e7o conjunto para combater o doping. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 conscientizar de um lado os competidores sobre os riscos do uso inadvertido de f\u00f3rmulas e os m\u00e9dicos e os profissionais da sa\u00fade sobre os efeitos que determinados medicamentos podem gerar. Para o presidente do CFM, Carlos Vital, a expectativa \u00e9 criar uma rede colaborativa de \u00e9tica e boas pr\u00e1ticas esportivas.<\/p>\n<p>&#8220;Esperamos que essa cartilha sirva de apoio n\u00e3o s\u00f3 para os profissionais especializados no tema, mas para todos os interessados. Certamente ser\u00e1 um subs\u00eddio importante, principalmente para o m\u00e9dico assistente de atletas e de praticantes de exerc\u00edcios f\u00edsicos, al\u00e9m dos pr\u00f3prios esportistas e suas equipes de apoio&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p><strong>Lacuna<\/strong> \u2013 O trabalho, que ser\u00e1 encaminhado a todos os m\u00e9dicos brasileiros, em especial aqueles que atuam em \u00e1reas como ortopedia, traumatologia, cardiologia e endocrinologia, preenche uma importante lacuna. O texto traz informa\u00e7\u00f5es sobre subst\u00e2ncias consideradas v\u00e1lidas, mas com consumo n\u00e3o liberado entre competidores por interferirem em seu desempenho e por provocarem ganho de for\u00e7a, velocidade ou resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Os atletas profissionais ou de alta performance de todas as modalidades s\u00e3o os mais vulner\u00e1veis pela ingest\u00e3o indevida desses produtos, pois s\u00e3o rotineiramente submetidos a testes de doping. Contudo, os praticantes de atividade f\u00edsica amadores tamb\u00e9m podem ser prejudicados, com o aumento do rigor na fiscaliza\u00e7\u00e3o de provas espec\u00edficas para esse grupo. De acordo com H\u00e9sojy Gley Pereira Vital da Silva, do CPB e respons\u00e1vel pela elabora\u00e7\u00e3o do documento, a tend\u00eancia \u00e9 que as an\u00e1lises para identificar casos de dopagem passem ser comuns em eventos n\u00e3o profissionais.<\/p>\n<p><strong>Situa\u00e7\u00e3o do Brasil<\/strong> \u2013 Segundo a ABCD, o doping \u00e9 caracterizado pela utiliza\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias ou m\u00e9todos proibidos capazes de promover altera\u00e7\u00f5es f\u00edsicas ou ps\u00edquicas que melhoram artificialmente o desempenho esportivo do atleta. No Brasil, o Tribunal de Justi\u00e7a Desportiva Antidopagem, criado em 2016, j\u00e1 puniu cerca de 30 atletas pelo uso de subst\u00e2ncias proibidas \u2013 alguns casos est\u00e3o em grau de recurso. Ao todo, aproximadamente 70 processos tramitam na Corte.<\/p>\n<p>J\u00e1 o relat\u00f3rio mais recente publicado pela WADA (sigla em ingl\u00eas da Ag\u00eancia Mundial Antidoping), tamb\u00e9m de 2016, dentre os 34 laborat\u00f3rios certificados pela entidade espalhados em 29 pa\u00edses pelo mundo, o Brasil possui a 10\u00aa menor m\u00e9dia de Resultados Anal\u00edticos Adversos (AAF, na sigla em ingl\u00eas), que s\u00e3o os casos onde foram identificadas subst\u00e2ncias proibidas nos exames de doping.<\/p>\n<p>Das 9.465 amostras submetidas a exames de urina e sangue, 98 apresentaram resultados positivos (AAF), n\u00famero que representa 1,04% do total das amostras. O n\u00famero est\u00e1 abaixo da m\u00e9dia mundial (1,60%), calculada a partir dos dados coletadas pelos 34 laborat\u00f3rios certificados pela WADA. Cerca de 60% das amostras foram realizadas em competi\u00e7\u00f5es oficiais e os outros 40%, fora de competi\u00e7\u00f5es oficiais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, outras 716 amostras foram coletadas para serem submetidas ao exame do Passaporte Biol\u00f3gico do Atleta (ABP), que analisa a sa\u00fade do atleta a partir de dados sangu\u00edneos em busca de altera\u00e7\u00f5es. Com os avan\u00e7os cient\u00edficos e tecnol\u00f3gicos, o crescimento desse tipo de exame j\u00e1 \u00e9 percept\u00edvel. S\u00f3 no Brasil, os n\u00fameros saltaram de 101 coletas, em 2015, para 716 no ano seguinte.<\/p>\n<p><strong>Aumento de casos<\/strong> \u2013 Entre os anos de 2015 e 2016, houve um aumento expressivo do percentual de resultados positivos a n\u00edvel mundial, saltando de 1,26% para 1,60%. Esse aumento, segundo aponta o pr\u00f3prio relat\u00f3rio da WADA, est\u00e1 diretamente ligado a inclus\u00e3o do Meldonium entre as subst\u00e2ncias proibidas. O f\u00e1rmaco ficou mundialmente conhecido ap\u00f3s a den\u00fancia de doping da tenista russa Maria Sharapova.<\/p>\n<p>Trata-se de uma subst\u00e2ncia usada para tratamento de pacientes com problemas card\u00edacos e normalmente \u00e9 receitado para quem sofre de isquemia do cora\u00e7\u00e3o, doen\u00e7as neurodegenerativas, pulmonares e doen\u00e7as do sistema imunol\u00f3gico. Dentre as 721 ocorr\u00eancias de uso de subst\u00e2ncias classificadas como Moduladores Metab\u00f3licos e Hormonais, o Meldonium foi respons\u00e1vel por 71% dos casos.<\/p>\n<p>Entre os atletas amadores, uma das subst\u00e2ncias mais comuns \u00e9 a Eritropetina, um horm\u00f4nio que eleva a produ\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas vermelhas pelo sangue. Ao aumentar a capacidade de transporte de oxig\u00eanio pelo sangue, a subst\u00e2ncia, consequentemente, permite a produ\u00e7\u00e3o de energia aer\u00f3bica e melhora o rendimento em provas longas e extenuantes.<\/p>\n<p>O medicamento \u00e9 indicado para doen\u00e7as que afetam a produ\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas vermelhas e o uso indevido pode acarretar em doen\u00e7as como trombose, al\u00e9m de aumentar as chances de um infarto ou um Acidente Vascular Cerebral (AVC). O caso mais famoso de dopagem por Eritropetina \u00e9 o do ciclista americano Lance Armstrong, que ficou conhecido por ter vencido o Tour de France sete vezes (de 1999 a 2005). Armstrong teve todos seus t\u00edtulos cassados e perdeu todos os patroc\u00ednios.<\/p>\n<p>Nas academias, por exemplo, as subst\u00e2ncias mais comuns s\u00e3o os esteroides anabolizantes, horm\u00f4nios produzidos sinteticamente a fim de substituir a testosterona. Nomes como androsterona, dianabol e drostanolona s\u00e3o recorrentes nesse meio e, inclusive, de f\u00e1cil acesso em farm\u00e1cias convencionais ou nas de manipula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em geral, os efeitos buscados s\u00e3o a perda de gordura e o aumento da massa muscular, mas os efeitos colaterais s\u00e3o diferentes em homens e mulheres. Nas mulheres, h\u00e1 o desenvolvimento de caracter\u00edsticas masculinas como o engrossamento da voz, crescimento de pelos e aumento da for\u00e7a f\u00edsica, assim como perda de gordura e aumento da massa muscular. J\u00e1 nos homens ocorre o inverso. Ao injetar horm\u00f4nios extras, o corpo masculino entende que n\u00e3o precisa mais produzir e isso leva a um atrofiamento dos test\u00edculos.<\/p>\n<p>Em 2007, durante os Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro, a nadadora brasileira Rebeca Gusm\u00e3o foi acusada no exame antidoping por altas taxas de testosterona no corpo. Na \u00e9poca, a nadadora perdeu as quatro medalhas conquistadas na competi\u00e7\u00e3o \u2013 dois ouros, uma prata e um bronze, al\u00e9m de ser banida do esporte ol\u00edmpico.<\/p>\n<p><strong>Debate<\/strong> \u2013 Com a aproxima\u00e7\u00e3o de um dos maiores eventos esportivos do Mundo, a Copa do Mundo de Futebol, o CFM, juntamente com entidades m\u00e9dicas e esportivas, promove nesta sexta-feira (11) o IV F\u00f3rum de Medicina do Esporte, em Bras\u00edlia (DF), durante o qual ser\u00e1 lan\u00e7ado o guia.<\/p>\n<p>A expectativa \u00e9 reacender as discuss\u00f5es sobre as regras b\u00e1sicas relacionadas ao doping e \u00e0 suplementa\u00e7\u00e3o alimentar nas modalidades de alta performance. Para o coordenador da C\u00e2mara T\u00e9cnica de Medicina do Esporte do CFM, Emmanuel Fortes, muitos atletas s\u00e3o pegos em exames antidoping porque usaram medicamentos prescritos por m\u00e9dicos que n\u00e3o s\u00e3o do clube e n\u00e3o tinham conhecimento das subst\u00e2ncias proscritas no esporte.<\/p>\n<p>Segundo ele, o Brasil j\u00e1 esteve entre o grupo dos dez pa\u00edses com maior n\u00famero de casos de doping registrados pela WADA, entidade esportiva internacional que fiscaliza o tema. &#8220;Hoje esse \u00e9 um problema contra o qual as autoridades brasileiras est\u00e3o mais atentas. No entanto, infelizmente o doping tem alcan\u00e7ado muitos adeptos no esporte amador, principalmente entre aqueles que buscam notoriedade nas redes sociais&#8221;, lamentou.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/portal.cfm.org.br\/images\/PDF\/medicina_esporte.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Clique aqui<\/a> para baixar o documento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os m\u00e9dicos e atletas brasileiros podem contar a partir desta sexta-feira (11) com um guia pr\u00e1tico, com orienta\u00e7\u00f5es objetivas, sobre [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":18646,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_expiration-date-status":"saved","_expiration-date":0,"_expiration-date-type":"","_expiration-date-categories":[],"_expiration-date-options":[]},"categories":[1],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18645"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18645"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18645\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18647,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18645\/revisions\/18647"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18646"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18645"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18645"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18645"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}