{"id":17254,"date":"2018-01-25T07:59:12","date_gmt":"2018-01-25T07:59:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cremeb.org.br\/?p=17254"},"modified":"2018-01-26T12:59:51","modified_gmt":"2018-01-26T12:59:51","slug":"sociedade-brasileira-de-hansenologia-divulga-alerta-sobre-o-cenario-da-hanseniase-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/noticias\/sociedade-brasileira-de-hansenologia-divulga-alerta-sobre-o-cenario-da-hanseniase-no-brasil\/","title":{"rendered":"Sociedade Brasileira de Hansenologia divulga alerta sobre o cen\u00e1rio da hansen\u00edase no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 70 anos trabalhamos no combate \u00e0 hansen\u00edase no Brasil, conhecemos e convivemos com uma realidade que preocupa hansenologistas e profissionais de sa\u00fade das mais diferentes \u00e1reas. Por isso, queremos e devemos alertar a sociedade brasileira \u2013 pais, educadores, autoridades de todas as \u00e1reas e esferas, adultos e crian\u00e7as \u2013 sobre o triste cen\u00e1rio que poucos conhecem, mas que a todos afeta: o Brasil ocupa 2\u00b0 lugar no ranking mundial da doen\u00e7a, atr\u00e1s da \u00cdndia. A hansen\u00edase cresce silenciosamente provocando sequelas irrevers\u00edveis e afastando do trabalho e do conv\u00edvio crian\u00e7as, jovens, adultos e idosos.<\/p>\n<p>V\u00e1rios problemas se apresentam neste cen\u00e1rio: m\u00e9dicos despreparados para o diagn\u00f3stico, profissionais da aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica sem treinamento adequado, universidades que formam m\u00e9dicos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e outros profissionais de sa\u00fade sem o preparo necess\u00e1rio para lidar com esta doen\u00e7a, educadores, pais e formadores de opini\u00e3o que evitam ou desconhecem totalmente o assunto, falta de recursos e interesse para pesquisa, cobertura insuficiente da popula\u00e7\u00e3o pela estrat\u00e9gia sa\u00fade da fam\u00edlia, al\u00e9m da problem\u00e1tica jur\u00eddica em torno dos direitos das pessoas v\u00edtimas da hansen\u00edase \u2013 doentes que passaram a vida em lepros\u00e1rios e filhos de pacientes que viveram internados em prevent\u00f3rios mesmo sem ter a doen\u00e7a, sendo todos privados de seus direitos b\u00e1sicos e hoje esquecidos em antigas col\u00f4nias e dependendo de dedicados profissionais de sa\u00fade e da boa vontade de abnegados volunt\u00e1rios.<\/p>\n<p>Pergunta-se ent\u00e3o: que cura \u00e9 esta que livra o doente do bacilo causador da hansen\u00edase, mas deixa o paciente com incapacidades que o afastam do trabalho e da sociedade? N\u00f3s, profissionais da sa\u00fade, um ex\u00e9rcito \u2013 que poderia e deveria ser bem maior \u2013 que trabalha no combate \u00e0 hansen\u00edase neste pa\u00eds de alta endemicidade, nos indignamos com isso. O tema tem de voltar \u00e0 escola e a toda sociedade. Negar o assunto \u00e9 conferir for\u00e7a a uma sucess\u00e3o de erros grav\u00edssimos para todo o Brasil: \u00e9 estigmatizar o paciente que acaba diagnosticado tardiamente, ou que nega a pr\u00f3pria doen\u00e7a, \u00e9 refor\u00e7ar o preconceito, \u00e9 contribuir para que a hansen\u00edase vitime mais seres humanos. O bacilo n\u00e3o escolhe ra\u00e7a, condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica ou cultural.<\/p>\n<p>Alertamos para o contingente alt\u00edssimo de doentes que sequer t\u00eam o diagn\u00f3stico e sabe-se l\u00e1 quando cair\u00e3o nas m\u00e3os de um agente comunit\u00e1rio de sa\u00fade, um enfermeiro, m\u00e9dico, ou um amigo que os alerte e os encaminhe ao servi\u00e7o especializado para devido tratamento.<\/p>\n<p>Sabemos que o diagn\u00f3stico da hansen\u00edase \u00e9 dif\u00edcil. Exames de laborat\u00f3rio conseguem identificar menos da metade dos casos; o diagn\u00f3stico depende do preparo e treinamento do m\u00e9dico. Mas o m\u00e9dico capacitado reconhece a doen\u00e7a e isso basta para que o paciente seja tratado e curado. O que n\u00e3o aceitamos \u00e9 que doentes sejam &#8220;desdiagnosticados&#8221; e percam o direito a um digno tratamento. Desdiagn\u00f3sticos estes feitos por exames cl\u00ednicos pouco acurados e, \u00e0s vezes, baseados apenas na presen\u00e7a exclusiva de les\u00f5es cut\u00e2neas, sem dar import\u00e2ncia aos sintomas e tamb\u00e9m ao exame neurol\u00f3gico essencial para o diagn\u00f3stico da hansen\u00edase.<\/p>\n<p>Por isso, alertamos toda a sociedade brasileira para que volte seus olhos para este tema que apresenta \u00edndices ainda preocupantes em nosso pa\u00eds. \u00c9 hora de assumir um problema e somar esfor\u00e7os para combat\u00ea-lo. Afinal, hansen\u00edase tem cura, temos medicamento gratuito em todo o pa\u00eds e profissionais de sa\u00fade capacitados e comprometidos com a causa \u2013 precisar\u00edamos muito mais, \u00e9 verdade. E estamos comemorando o fato de o Brasil poder contar agora com mais 35 m\u00e9dicos hansenologistas que passaram no Exame de Sufici\u00eancia para obten\u00e7\u00e3o do T\u00edtulo de Especialista em Hansenologia, realizado durante o 14\u00b0 Congresso Brasileiro de Hansenologia, que aconteceu de 8 a 11 de novembro de 2017, em Bel\u00e9m do Par\u00e1.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, contamos com a campanha nacional Todos Contra a Hansen\u00edase, uma estrat\u00e9gia de comunica\u00e7\u00e3o que criamos para &#8220;falar&#8221; com educadores, pais, doentes de hansen\u00edase que convivem com o preconceito, crian\u00e7as, autoridades de Educa\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade, inst\u00e2ncias do Judici\u00e1rio brasileiro, pol\u00edticos, imprensa e formadores de opini\u00e3o em geral. Queremos que o assunto volte \u00e0s salas de aula, que a hansen\u00edase seja ensinada como uma doen\u00e7a cur\u00e1vel transmitida por um bacilo. Queremos que o Brasil tenha mais profissionais de sa\u00fade formados e sensibilizados para diagnosticar a doen\u00e7a. E queremos, sim, aumentar os diagn\u00f3sticos da doen\u00e7a, pois apenas assim podemos contribuir para transformar um cen\u00e1rio doloroso no Brasil.<\/p>\n<p>Temos, ainda, uma d\u00edvida impag\u00e1vel com as v\u00edtimas de hansen\u00edase e os filhos, muitas vezes sadios, de pacientes internados em institui\u00e7\u00f5es e segregados do mundo por longos anos. S\u00e3o cidad\u00e3os que desconhecem suas origens e at\u00e9 hoje procuram pais, irm\u00e3os, filhos ou amigos. Pa\u00edses como o Jap\u00e3o reconheceram o horror com que foi tratada esta popula\u00e7\u00e3o e buscaram reparar sua hist\u00f3ria com indeniza\u00e7\u00f5es \u00e0s v\u00edtimas do sistema segregador e com preserva\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria. Aqui chamamos a aten\u00e7\u00e3o da classe de advogados, Judici\u00e1rio e Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/p>\n<p>A Sociedade Brasileira de Hansenologia est\u00e1 aberta a conversar com todos os p\u00fablicos de interesse e continuar\u00e1 promovendo treinamentos gratuitos a profissionais de sa\u00fade no Brasil. N\u00e3o basta diminuir o \u00edndice de notifica\u00e7\u00f5es oficiais. Precisamos chegar a todos os doentes, quebrar a cadeia de transmiss\u00e3o do bacilo causador da hansen\u00edase e, s\u00f3 ent\u00e3o, come\u00e7ar a reverter este triste cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>E aqui lan\u00e7amos nosso \u00faltimo alerta, especialmente para secret\u00e1rios de Sa\u00fade dos munic\u00edpios, prefeitos, autoridades em geral e professores municipais: n\u00e3o \u00e9 porque o \u00edndice de preval\u00eancia da hansen\u00edase \u00e9 baixo em suas localidades que a doen\u00e7a n\u00e3o existe. Nossa experi\u00eancia, em todo o Brasil, mostra que basta promover a\u00e7\u00f5es de busca ativa de casos que o n\u00famero de doentes se multiplica. Crian\u00e7as s\u00e3o v\u00edtimas desta doen\u00e7a que leva de 5 a 10 anos para se manifestar. Hansen\u00edase \u00e9 uma doen\u00e7a de lenta evolu\u00e7\u00e3o, e esta crian\u00e7a se infectou pelo contato com algu\u00e9m pr\u00f3ximo, geralmente um familiar, e tamb\u00e9m est\u00e1 transmitindo para seus amigos, parentes, vizinhos, podendo tornar-se incapacitada muito cedo. Por isso, \u00e9 essencial, digno e humano diagnosticar precocemente.<\/p>\n<p>Reafirmamos nosso compromisso em combater a hansen\u00edase no Brasil com diagn\u00f3sticos, treinamentos para profissionais de sa\u00fade e di\u00e1logo com a sociedade civil. Al\u00e9m disso, em 2018, vamos abrir di\u00e1logo com outros p\u00fablicos, a come\u00e7ar pelos educadores e o sistema judici\u00e1rio. A sociedade civil brasileira pode tamb\u00e9m fazer o seu papel e transformar este cen\u00e1rio. Convidamos voc\u00eas, p\u00fablico citado aqui, a falar sobre a hansen\u00edase, a conhecer a cartilha educativa &#8220;Todos Contra a Hansen\u00edase&#8221;, compartilhar este conte\u00fado, perguntar para o seu m\u00e9dico, conversar na escola e, finalmente, respeitar o paciente v\u00edtima de hansen\u00edase. Cada um tem um grande papel a fazer. S\u00f3 assim podemos evoluir como sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Somos todos contra a hansen\u00edase!<\/p>\n<p>Claudio Guedes Salgado<br \/>\nPresidente SBH<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 70 anos trabalhamos no combate \u00e0 hansen\u00edase no Brasil, conhecemos e convivemos com uma realidade que preocupa hansenologistas e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_expiration-date-status":"saved","_expiration-date":0,"_expiration-date-type":"","_expiration-date-categories":[],"_expiration-date-options":[]},"categories":[1],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17254"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17254"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17254\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17255,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17254\/revisions\/17255"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17254"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17254"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17254"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}