{"id":15125,"date":"2017-07-31T10:51:31","date_gmt":"2017-07-31T10:51:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cremeb.org.br\/?p=15125"},"modified":"2017-07-31T17:11:52","modified_gmt":"2017-07-31T17:11:52","slug":"infraestrutura-de-assistencia-ao-avc-no-sus-e-inadequada-indica-pesquisa-do-conselho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/noticias\/infraestrutura-de-assistencia-ao-avc-no-sus-e-inadequada-indica-pesquisa-do-conselho\/","title":{"rendered":"Infraestrutura de assist\u00eancia ao AVC no SUS \u00e9 inadequada, indica pesquisa do Conselho"},"content":{"rendered":"<p>A maioria dos hospitais p\u00fablicos brasileiros (76%) apresenta infraestrutura pouco adequada (39%) ou inadequada (37%) ao atendimento de crises agudas de acidente vascular cerebral (AVC), uma das principais causas de mortalidade por doen\u00e7as cr\u00f4nicas n\u00e3o transmiss\u00edveis no Pa\u00eds. Apenas 25% desses estabelecimentos se enquadram em par\u00e2metros que os tornariam adequados (22%) ou muito adequados (3%) para essa finalidade.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o de neurologistas e neurocirurgi\u00f5es, especialistas com maior grau de qualifica\u00e7\u00e3o para atender a esses casos, expressa em pesquisa do Conselho Federal de Medicina (CFM). Os profissionais que atendem na rede p\u00fablica foram convidados a expressar suas opini\u00f5es em question\u00e1rio estruturado a partir de itens definidos por nomes que s\u00e3o refer\u00eancia na \u00e1rea, incluindo representantes da Academia Brasileira de Neurologia (ABN).<\/p>\n<p>Os dados foram colhidos entre janeiro e mar\u00e7o deste ano, sendo que a avalia\u00e7\u00e3o incluiu itens sobre estrutura f\u00edsica, equipamentos, medicamentos, capacita\u00e7\u00e3o e equipes multiprofissionais, entre outros. Tamb\u00e9m se buscou conhecer o grau de satisfa\u00e7\u00e3o com os resultados alcan\u00e7ados com o atendimento oferecido.<\/p>\n<p>O presidente do CFM, Carlos Vital, considerou os n\u00fameros representativos, pois dialogam com outros estudos da institui\u00e7\u00e3o. \u201cEm levantamentos feitos com o Datafolha, j\u00e1 era apontado que o paciente do SUS tem queixas graves com rela\u00e7\u00e3o ao tempo de espera para interna\u00e7\u00e3o ou para fazer exames de maior complexidade. Os percentuais desse levantamento refor\u00e7am a percep\u00e7\u00e3o de falta de estrutura na rede p\u00fablica\u201d, disse.<\/p>\n<p>Para os neurologistas e neurocirurgi\u00f5es consultados, em 87,9% dos hospitais p\u00fablicos que acolhem pacientes em crise aguda de AVC faltam leitos de interna\u00e7\u00e3o; em 93% n\u00e3o h\u00e1 resson\u00e2ncia magn\u00e9tica dispon\u00edvel em at\u00e9 15 minutos; e em 32% inexiste tomogra\u00adfia computadorizada. O grupo ainda relatou aus\u00eancia de leitos de UTI\/ emerg\u00eancia para pacientes isqu\u00eamicos, que precisam usar trombol\u00edticos em 63,6% dos servi\u00e7os. De forma geral, essas unidades carecem desse medicamento (52,6%) e de uma triagem para identi\u00adficar os pacientes com AVC (57,5%).<\/p>\n<p>O professor e neurologista Luiz Alberto Bacheschi, integrante da C\u00e2mara T\u00e9cnica de Neurologia e Neurocirurgia do CFM, defende que, al\u00e9m de melhorias na infraestrutura, seja oferecida capacita\u00e7\u00e3o ao corpo cl\u00ednico. \u201cTemos de treinar nossas equipes de emerg\u00eancia. Onde n\u00e3o for poss\u00edvel um especialista, que seja dado suporte a dist\u00e2ncia\u201d, defendeu.<\/p>\n<p>\u201cEstes s\u00e3o dados preocupantes, pois se um paciente com AVC for atendido mais rapidamente, menores ser\u00e3o as sequelas\u201d, alerta o conselheiro Hideraldo Cabe\u00e7a, coordenador da C\u00e2mara T\u00e9cnica de Neurologia e Neurocirurgia do CFM. \u201cN\u00e3o estamos falando de unidades de pronto atendimento (UPAs), mas de hospitais de alta complexidade, que t\u00eam neurocirurgi\u00f5es e neurologistas nos seus corpos cl\u00ednicos e que s\u00e3o refer\u00eancia para o atendimento em AVC\u201d, ponderou.<\/p>\n<p><strong>Avalia\u00e7\u00e3o negativa<\/strong>\u00a0\u2013 As car\u00eancias relatadas s\u00e3o a base da cr\u00edtica dos neurologistas e neurocirurgi\u00f5es que exp\u00f5em sua preocupa\u00e7\u00e3o com a qualidade dos servi\u00e7os p\u00fablicos no momento de avali\u00e1-los. De acordo com a pesquisa do CFM, para 52,7% dos especialistas, os estabelecimentos do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), em termos de infraestrutura, podem ser considerados p\u00e9ssimos (25,7%) ou ruins (27%).<\/p>\n<p>A inexist\u00eancia dos itens m\u00ednimos para o atendimento ocorre para 8,3% dos entrevistados. Apenas 12,9% avaliam as condi\u00e7\u00f5es oferecidas aos pacientes como boas (11,2%) ou \u00f3timas (1,7%). Na opini\u00e3o de 21,6%, elas podem ser consideradas regulares.<\/p>\n<p>Ao avaliar individualmente os itens apontados como necess\u00e1rios ao atendimento de crises agudas de AVC, as percep\u00e7\u00f5es negativas tamb\u00e9m predominaram. A qualidade da resson\u00e2ncia magn\u00e9tica nos hospitais p\u00fablicos \u00e9 descrita pelos neurologistas e neurocirurgi\u00f5es como p\u00e9ssima (21,8%), ruim (12,8%) e regular (7,5%). Para 51,9% dos especialistas, esse equipamento \u00e9 inexistente nos servi\u00e7os. Outro item que preocupa s\u00e3o os servi\u00e7os endovasculares com angiografia digital e tromb\u00f3lise.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de 38,2% dos especialistas, eles s\u00e3o inexistentes na rede p\u00fablica. A percep\u00e7\u00e3o de que eles s\u00e3o p\u00e9ssimos ou ruins foi expressa por 24,5%; de que s\u00e3o regulares, por 15,3%; bons, por 12,2%; e \u00f3timos, por 9,9%. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 disponibilidade de leitos de interna\u00e7\u00e3o para acolher a demanda no SUS, a cr\u00edtica tamb\u00e9m \u00e9 severa.<\/p>\n<p>De acordo com os neurologistas e neurocirurgi\u00f5es, a qualidade desse item \u00e9 p\u00e9ssima para 31,1%. No entendimento de 25,6%, \u00e9 ruim; regular, para 27,8%; boa, na opini\u00e3o de 9,4%; e \u00f3tima, na de 4,4%. A inexist\u00eancia foi apontada por 1,7% dos entrevistados. A realiza\u00e7\u00e3o de exames laboratoriais em at\u00e9 15 minutos foi apontada como inadequada em 40% dos hospitais p\u00fablicos, sendo avaliada inexistente por 4,1% dos m\u00e9dicos; p\u00e9ssima, por 14,4%; e ruim, por 22,1%.<\/p>\n<p>Com respeito ao acesso aos tom\u00f3grafos, foi classificado como inexistente por 3,3% dos especialistas; p\u00e9ssimo, por 10,4%; e ruim, por 11,8%. Outro destaque: no momento da pesquisa, o trombol\u00edtico n\u00e3o estava dispon\u00edvel em 52,6% dos estabelecimentos, e 80% n\u00e3o dispunham de servi\u00e7o endovascular com angiografia digital e tromb\u00f3lise.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 contradit\u00f3rio um hospital ter um tom\u00f3grafo mas n\u00e3o conseguir fazer exames b\u00e1sicos\u201d, observa Acary Souza Bulle de Oliveira, membro da CT de Neurologia e Neurocirurgia. De acordo com o protocolo de atendimento ao AVC do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, exames como hemograma e de glicose t\u00eam que ser feitos em at\u00e9 15 minutos ap\u00f3s o paciente dar entrada no hospital com suspeita de acidente.<\/p>\n<p><strong>Mortes e sequelas<\/strong>\u00a0\u2013 Conhecido popularmente como derrame ou trombose, o AVC ocupa o segundo lugar no ranking de enfermidades que mais causam \u00f3bitos no Brasil, atr\u00e1s apenas das doen\u00e7as cardiovasculares. Para se ter uma ideia da gravidade, a cada hora, 11 brasileiros morrem por algum tipo de consequ\u00eancia do AVC, segundo os registros apurados pelo CFM junto ao Sistema de Informa\u00e7\u00f5es sobre Mortalidade do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Em 2014, \u00faltimo ano em que h\u00e1 dados dispon\u00edveis, morreram no pa\u00eds mais de 99 mil pessoas. Os estados da regi\u00e3o Norte s\u00e3o os que apresentam a maior incid\u00eancia da mortalidade por AVC no pa\u00eds. S\u00f3 no Amap\u00e1, de 2008 a 2014 houve aumento de 89,7% no n\u00famero de mortes por AVC.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/portal.cfm.org.br\/images\/stories\/Noticias2017\/bitos%20por%20avc%202008-2014%20-%20cid%2010%202%201.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">CONFIRA O QUADRO GERAL DE \u00d3BITOS POR AVC ENTRE 2008 E 2014<\/a>.<\/p>\n<p>No ano passado, quase 177 mil pessoas foram internadas para tratamento de AVC no SUS em todo o pa\u00eds. Quase 30 mil pacientes tiveram alta da interna\u00e7\u00e3o por \u00f3bito. Se a tend\u00eancia registrada at\u00e9 2014 permanecer, a mortalidade poder\u00e1 atingir novamente este ano o equivalente a mais da metade dos pacientes que passaram pelo SUS.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/portal.cfm.org.br\/images\/stories\/Noticias2017\/internaes%20avc%202008-2016%202%201.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">CONFIRA O QUADRO GERAL DE INTERNA\u00c7\u00d5ES POR AVC ENTRE 2008 E 2016<\/a>.<\/p>\n<p>O AVC tamb\u00e9m \u00e9 a primeira causa de incapacidade funcional no pa\u00eds e no mundo, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). O paciente atingido pelo AVC pode ficar com sequelas como dificuldade para se locomover, falar, sofrer paralisia em um dos lados do corpo e perda de algumas fun\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas, entre outras.<\/p>\n<p>Existem dois tipos de AVC, o hemorr\u00e1gico, em que ocorre rompimento de art\u00e9rias e sangramento no c\u00e9rebro e o isqu\u00eamico, tipo mais frequente que representa 80% dos casos e \u00e9 caracterizado pelo entupimento das art\u00e9rias por um co\u00e1gulo.<\/p>\n<p>De acordo com os especialistas, a diferencia\u00e7\u00e3o imediata pelo m\u00e9dico entre um tipo e outro de AVC \u00e9 determinante no sucesso do tratamento e na revers\u00e3o de poss\u00edveis sequelas. A identifica\u00e7\u00e3o na maioria das vezes \u00e9 poss\u00edvel por meio do exame de tomografia ou pela resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, dependendo do caso.<\/p>\n<p>Saiba mais sobre o tema em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.avc.cfm.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.avc.cfm.org.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A maioria dos hospitais p\u00fablicos brasileiros (76%) apresenta infraestrutura pouco adequada (39%) ou inadequada (37%) ao atendimento de crises agudas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_expiration-date-status":"saved","_expiration-date":0,"_expiration-date-type":"","_expiration-date-categories":[],"_expiration-date-options":[]},"categories":[1],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15125"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15125"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15125\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15127,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15125\/revisions\/15127"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15125"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15125"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15125"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}