{"id":12808,"date":"2017-02-10T09:13:33","date_gmt":"2017-02-10T09:13:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cremeb.org.br\/?p=12808"},"modified":"2017-04-03T12:06:36","modified_gmt":"2017-04-03T12:06:36","slug":"12808","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/noticias\/12808\/","title":{"rendered":"Crescimento desenfreado de cursos de medicina impacta na forma\u00e7\u00e3o do profissional"},"content":{"rendered":"<p>A abertura indiscriminada de novos cursos de medicina no Brasil est\u00e1 refletindo na qualidade dos profissionais que chegam ao mercado de trabalho. Os n\u00fameros d\u00e3o uma no\u00e7\u00e3o do problema: do in\u00edcio dos anos 2000 at\u00e9 2014, a quantidade de faculdades de medicina no pa\u00eds dobrou. Somente nos \u00faltimos seis anos, foram abertos 93 cursos de medicina no pa\u00eds. Atualmente, h\u00e1 mais de 270 escolas m\u00e9dicas em territ\u00f3rio nacional, sendo 151 privadas.<\/p>\n<p>Para incrementar ainda mais esses \u00edndices, em setembro do ano passado, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) autorizou a abertura de novos cursos privados de medicina em 37 munic\u00edpios do pa\u00eds, sendo seis na Bahia, que juntos v\u00e3o ofertar 2.290 novas vagas (375 na Bahia). Para o Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb), esta \u00e9 a justificativa para que os 56,4% dos m\u00e9dicos rec\u00e9m-formados em S\u00e3o Paulo tivessem um desempenho aqu\u00e9m do esperado no Exame do Conselho Regional de Medicina de S\u00e3o Paulo (Cremesp) de 2016.<\/p>\n<p>A abertura desenfreada de novos cursos de medicina \u00e9 uma pr\u00e1tica h\u00e1 tempos denunciada e combatida veementemente pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e seus 27 Conselhos Regionais. A falta de crit\u00e9rios por parte das autoridades respons\u00e1veis contribui para a m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos e, por consequ\u00eancia, coloca em risco a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o. A falha fiscaliza\u00e7\u00e3o perante o cumprimento das regras que autorizam o funcionamento das escolas m\u00e9dicas colabora com a abertura de cursos sem instala\u00e7\u00f5es adequadas, com ambulat\u00f3rios e laborat\u00f3rios prec\u00e1rios (ou inexistentes) e sem um conte\u00fado pedag\u00f3gico qualificado.<\/p>\n<p>O governo insiste na simplifica\u00e7\u00e3o do problema da desassist\u00eancia no Brasil atribuindo a situa\u00e7\u00e3o a uma suposta falta de m\u00e9dicos, optando, inclusive, por importar profissionais de qualifica\u00e7\u00e3o duvidosa atrav\u00e9s do Programa Mais M\u00e9dicos. No entanto, dados do CFM mostram que n\u00e3o existe este d\u00e9ficit. Segundo o estudo Demografia M\u00e9dica Brasil 2015, do CFM, o pa\u00eds conta com 432.870 registros de m\u00e9dicos, o que corresponde \u00e0 raz\u00e3o nacional de 2,11 m\u00e9dicos por grupo de 1 mil habitantes. A taxa brasileira fica pr\u00f3xima da dos Estados Unidos (2,5), do Canad\u00e1 (2,4) e do Jap\u00e3o (2,2) e \u00e9 maior do que a do Chile (1,6), China (1,5) e \u00cdndia (0,7).<\/p>\n<p>Na verdade, o problema est\u00e1 na m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o dos profissionais, que est\u00e1 diretamente relacionada a falta de uma carreira de estado para os m\u00e9dicos. Ainda de acordo com o levantamento do CFM, a maioria dos m\u00e9dicos no Brasil permanece concentrada nas regi\u00f5es Sul e Sudeste, nas capitais e nos grandes munic\u00edpios.<\/p>\n<p>Na tentativa de reverter esse quadro na Sa\u00fade, o Cremeb cobra dos gestores p\u00fablicos a ado\u00e7\u00e3o de outras medidas para contornar o problema, como a garantia de mais recursos para o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) e a qualifica\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o do sistema, garantindo-lhe infraestrutura adequada ao seu funcionamento.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o Cremeb &#8211; que assim como os outros 25 CRMs do pa\u00eds n\u00e3o realiza o exame do Cremesp &#8211; e o CFM apoiam a aplica\u00e7\u00e3o de uma avalia\u00e7\u00e3o nacional para os estudantes de medicina, proposta j\u00e1 implementada pelo MEC, atrav\u00e9s da Avalia\u00e7\u00e3o Nacional Seriada dos Estudantes de Medicina (Anasem). Este entendimento \u00e9 comum tamb\u00e9m a maioria dos entrevistados pelo Instituto Datafolha no final de 2016, a pedido do CFM. Segundo o levantamento, 86% dos consultados acreditam que realizar as provas no 2\u00ba, 4\u00ba e 6\u00ba ano de faculdade \u00e9 uma boa proposta para medir os n\u00edveis de conhecimento dos alunos de medicina.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com a pesquisa, 52% da popula\u00e7\u00e3o entende que o governo n\u00e3o avalia e fiscaliza a qualidade do ensino oferecida pelas faculdades de medicina. Outro n\u00famero alarmante refere-se a avalia\u00e7\u00e3o e fiscaliza\u00e7\u00e3o perante a forma\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos no Brasil, onde 57% dos entrevistados julgaram n\u00e3o existir.<\/p>\n<p>Em tempo, o Cremeb salienta que n\u00e3o se pode generalizar os profissionais e os processos de forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. A institui\u00e7\u00e3o \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o supervisor da \u00e9tica profissional no estado, cabendo-lhe zelar e trabalhar por todos os meios ao seu alcance, pelo perfeito desempenho \u00e9tico da medicina e pelo prest\u00edgio e bom conceito da profiss\u00e3o e dos que a exer\u00e7am legalmente. No entanto, n\u00e3o compete ao Conselho a fiscaliza\u00e7\u00e3o de gradua\u00e7\u00f5es de medicina, cuja responsabilidade \u00e9 do MEC.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A abertura indiscriminada de novos cursos de medicina no Brasil est\u00e1 refletindo na qualidade dos profissionais que chegam ao mercado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":12811,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_expiration-date-status":"saved","_expiration-date":0,"_expiration-date-type":"","_expiration-date-categories":[],"_expiration-date-options":[]},"categories":[1,52],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12808"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12808"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12808\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12814,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12808\/revisions\/12814"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12811"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12808"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12808"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cremeb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12808"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}